Irão recusa negociar com EUA sob ameaça de Trump

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Irão recusa negociar com EUA sob ameaça de Trump
06/04/26 - 11:02 am

Teerão, 06 Abr (Inforpress) – O Irão recusou hoje negociar com os Estados Unidos sob ameaça do Presidente norte-americano, Donald Trump, uma posição assumida quando há incerteza sobre conversações para um possível cessar-fogo de 45 dias no conflito.

"A negociação não é, em absoluto, compatível com ultimatos, crimes ou ameaças de cometer crimes de guerra", disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Ismail Bagaei, em conferência de imprensa.

Segundo referiu, um cessar-fogo "significa [para os Estados Unidos] uma pausa para reagrupar e rearmar para continuar os crimes", pelo que o Irão exige "o fim da guerra imposta, juntamente com garantias de que o ciclo nefasto não se repetirá".

Trump voltou, no domingo, a ameaçar o Irão de desencadear "todo o inferno" quando o ultimato que deu à República Islâmica para desbloquear o Estreito de Ormuz expirar, às 20:00 de terça-feira, 07 de março, em Washington (01:00 de quarta-feira, em Lisboa), altura em que, segundo prometeu, irá atacar infraestruturas energéticas e pontes.

Ao mesmo tempo, o republicano afirmou, em entrevista à televisão Fox News, que acredita poder chegar a um acordo com Teerão a tempo.

De acordo com o portal de notícias norte-americano Axios, os Estados Unidos, o Irão e um grupo de mediadores regionais estão a discutir os termos de um possível cessar-fogo de 45 dias que poderá levar ao fim definitivo da guerra travada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão.

O portal, que cita quatro fontes norte-americanas, israelitas e regionais com conhecimento das negociações, indica que as conversações estão a ser conduzidas por mediadores paquistaneses, egípcios e turcos, mas também através de mensagens de texto trocadas entre o enviado de Donald Trump, Steve Witkoff, e o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi.

As fontes terão ainda adiantado que os mediadores consideram a reabertura completa do Estreito de Ormuz e uma solução para o urânio altamente enriquecido do Irão --- seja através da sua remoção do país ou da sua diluição --- condições indispensáveis para se chegar a um acordo.

O Irão mantém a sua intenção de manter o controlo do estreito mesmo depois da guerra e está a preparar uma lei para impor um sistema de portagem aos navios que o queiram atravessar.

Inforpress/Lusa

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