Instituto Nacional de Saúde Pública quer abordagem integrada contra contaminantes químicos nos alimentos

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Instituto Nacional de Saúde Pública quer abordagem integrada contra contaminantes químicos nos alimentos
08/07/26 - 12:27 pm

Cidade da Praia, 08 Jul (Inforpress) - A segurança alimentar é uma “componente essencial” da saúde pública e os riscos associados aos contaminantes químicos nos alimentos exigem uma abordagem cada vez mais integrada, declarou a presidente do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP).

"A saúde pública ultrapassa as doenças infecciosas. Também é preciso considerar a exposição da população a contaminantes químicos, resíduos, pesticidas e outras substâncias tóxicas que representam riscos para a saúde", afirmou Maria da Luz Lima.

Ela falava à imprensa, momentos antes do início da formação especializada sobre avaliação de riscos toxicológicos e contaminantes, destinada ao reforço das competências técnicas dos profissionais envolvidos na segurança alimentar e na protecção da saúde pública, que decorre durante dois dias na sede daquela instituição, na cidade da Praia.

Maria da Luz Lima indicou que a formação pretende capacitar técnicos e instituições na avaliação dos riscos associados à presença de contaminantes ao longo da cadeia alimentar, incluindo produtos da pesca, que podem igualmente representar riscos para os consumidores, no sentido de contribuir para o reforço dos sistemas de vigilância, da segurança alimentar e da protecção da saúde pública.

Explicou que o projecto não se limita à formação técnica, contemplando igualmente estudos para avaliar os níveis de contaminantes presentes em alimentos produzidos localmente e importados.

A presidente do INSP revelou que o estudo mais recente realizado nesta área indicou que os produtos importados apresentavam “níveis mais elevados de contaminantes” do que os nacionais, sublinhando, contudo, que está em curso uma nova avaliação, cujos resultados ainda não estão disponíveis e promete informar assim que estiver pronta. 

Anunciou que no âmbito deste projecto está a ser feita a recolha de amostras que serão analisadas em parceria entre o Laboratório de Controlo de Água e Alimentos do INSP e instituições das Canárias. 

“Os resultados serão divulgados quando o estudo estiver concluído", sintetizou.

Questionada se o país é de baixo ou alto risco a nível da contaminação, a mesma fonte considerou prematuro classificá-lo como elevado ou reduzido, mas referiu que os estudos existentes apontam para uma “baixa concentração” de contaminantes nos produtos nacionais.

Ainda assim, alertou para a necessidade de controlar a utilização de pesticidas na agricultura e incentivar a produção e o consumo de alimentos mais naturais, por parte dos agricultores, reduzindo a exposição da população a substâncias potencialmente nocivas, lembrando que são sensibilizados sempre nesta questão.

Maria da Luz Lima lembrou também que a fiscalização da qualidade dos alimentos não compete ao INSP, mas sim às entidades responsáveis pela inspeçcão e supervisão sanitária, cabendo ao instituto produzir evidência científica para apoiar a tomada de decisões pelas autoridades competentes.

A iniciativa é promovida no âmbito do Projecto ALSEMAC, de cooperação internacional, cofinanciado pelo Programa Interreg MAC 2021- 2027, que reúne instituições da Macaronésia [Canárias, Madeira e Açores] e de países parceiros da África Ocidental como Cabo Verde, Gana e Costa do Marfim.

O objectivo é promover a produção e o consumo de alimentos seguros, saudáveis e sustentáveis, assentes nos princípios da economia circular e da segurança alimentar.

 Em Cabo Verde, o projecto é desenvolvido pelo INSP, em parceria com a Direcção-geral da Agricultura, Silvicultura e Pecuária, o Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento Agrário e a Entidade Reguladora Independente da Saúde.

DG/AA

Inforpress/Fim

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