Ilha do Sal: UCID exige explicações sobre promessas e execuções habitacionais entre 2018 e 2026

Inicio | Política
Ilha do Sal: UCID exige explicações sobre promessas e execuções habitacionais entre 2018 e 2026
07/09/26 - 01:09 pm

Espargos, 07 Set (Inforpress) – A União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) exigiu hoje, no Sal, esclarecimentos ao poder local e central sobre a real situação da habitação na ilha, questionando os programas anunciados entre 2018 e 2026 para combater o déficit habitacional.

A posição foi manifestada em conferência de imprensa pelo vice-presidente da UCID e presidente regional do partido na ilha do Sal, Aldirley Gomes, que reconheceu que a habitação continua a ser “um dos principais problemas da ilha”.

Lembrou que em Junho de 2018 a câmara municipal apresentou uma estratégia que previa a construção de três a cinco mil novos fogos até 2030, além de programas dirigidos a centenas de famílias.

O dirigente partidário apontou que apesar de estudos oficiais de 2019 e dados da autarquia em 2021 apontarem para um défice de cerca de 1.600 famílias sem habitação própria, e de se reconhecer a entrega de habitações em Alto São João e Alto Santa Cruz, “a crise habitacional persiste” e volta a ser apresentada como “emergência nacional”.

“Em 2025, o presidente da Câmara Municipal do Sal afirmou que o défice de 1.600 casas estava praticamente resolvido e foram anunciados novos programas com o sector turístico. No entanto, em 2026, a habitação volta a surgir como prioridade central. Os salenses merecem uma explicação do que aconteceu entre o diagnóstico de 2018 e a realidade de hoje”, declarou Aldirley Gomes.

A UCID levantou uma série de questões directas sobre o número de fogos efectivamente construídos, a transformação de lotes atribuídos em habitações efectivas, o número real de famílias beneficiadas e se o aumento da oferta conseguiu, de facto, fazer baixar os preços das rendas na ilha.

Para o representante da UCID, o problema do Sal ultrapassa a dimensão social e reflecte uma “falha no próprio modelo de desenvolvimento”. 

O crescimento acelerado do turismo, aliado à pressão do alojamento turístico no mercado residencial, conforme a mesma fonte, tem inflacionado os preços das habitações, afectando não só os trabalhadores do sector do turismo, mas também profissionais essenciais como professores e técnicos de saúde.

“Se os salários não acompanharem a subida dos preços, criamos uma situação em que as pessoas trabalham no Sal, mas não conseguem viver com dignidade na ilha. Isto não é sustentável”, alertou.

Diante deste cenário, a UCID defendeu a implementação urgente de uma “verdadeira política territorial para uma ilha turística”, orientada para a habitação a custos controlados e para quem trabalha no Sal, aproveitando os novos instrumentos legais recentemente aprovados pelo Governo.

“Reconhecer o problema, oito anos e milhões de contos depois, simplesmente não chega. É preciso explicar o que falhou, aprender com o que foi feito e construir uma política que acompanhe o crescimento da Ilha do Sal”, concluiu Aldirley Gomes.

NA/AA

Inforpress/Fim

Partilhar