Ilha do Sal: Oradores em fórum veem Cabo Verde a liderar rota da soberania digital em África

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Ilha do Sal: Oradores em fórum veem Cabo Verde a liderar rota da soberania digital em África
24/06/26 - 04:35 pm

Santa Maria, ilha do Sal, 24 Jun (Inforpress) – A afirmação de Cabo Verde como plataforma estratégica para a soberania digital e a urgência do continente africano deixar de ser um “mero consumidor” de tecnologia dominam as atenções na 3.ª edição do Africa GCCM, que decorre no Sal.

O Global Carrier Connectivity Meeting (Africa GCCM), que reúne na cidade de Santa Maria mais de 300 decisores e operadores globais de telecomunicações de todo o mundo, coloca o arquipélago no centro das decisões sobre as futuras auto-estradas digitais, numa era em que a Inteligência Artificial (IA) exige infra-estruturas “robustas, inteligentes e, acima de tudo, soberanas”.

A directora executiva da Carrier Community, Wida Schmidt, enalteceu o apoio à missão de consolidar aquela que considera uma “plataforma de família especial”, desenhada para fazer a região prosperar. 

Schmidt agradeceu os fundadores e expositores globais presentes, sublinhando que a agenda do encontro reflecte as transformações em curso no sector.

“Hoje e amanhã, nós vamos abordar alguns temas importantes na nossa indústria, a partir de IA, centros de dados, segurança, conectividade global, cloud e transformação”, adiantou a responsável, manifestando a sua gratidão pela oportunidade de partilha de conhecimento e antecipando um evento “produtivo e memorável”.

Por seu lado, o director de estratégia da Senegal Numérique, Babacar Niang, trouxe ao debate uma reflexão sobre o impacto da Inteligência Artificial e o papel activo que a África deve assumir no desenho das redes do amanhã.

“Na era da Inteligência Artificial, nós não podemos mais concebê-la como simples cabos ou servidores passivos. A IA precisa de uma infra-estrutura robusta para existir, mas também é um instrumento que vai revolucionar a gestão do nosso mundo”, explicou.

Babacar Niang sustentou que a utilização da IA permite “passar de uma gestão reactiva para uma manutenção predictiva das redes e das fibras ópticas, optimizando o tráfego em tempo real”.

O estrategista senegalês defendeu que a visão para a sub-região deve assentar em dois pilares indissociáveis: a Inteligência Coletiva e a Soberania Numérica (digital). 

Segundo Niang, a inteligência de uma rede só tem valor se os dados que ela transporta estiverem seguros, razão pela qual o Senegal aposta estrategicamente numa cloud soberana através de centros de dados regionais.

Expandindo a conectividade além-fronteiras através do ‘backbone’ nacional WADEN e da rede oeste-africana para suportar a integração regional, Babacar Niang deixou um forte apelo à acção colectiva entre operadores, governos e parceiros tecnológicos para que o continente não fique para trás.

“África não deve ser um espectador ou um consumidor passivo da IA, ou de desenvolvedores de soluções. Nosso continente tem a oportunidade histórica de desenhar, de construir uma infra-estrutura inteligente que possui seu próprio desenvolvimento”, alertou, concluindo que o Senegal e Cabo Verde partilham da mesma ambição de conectividade para posicionar a África como líder desta transformação global.

NA/AA

Inforpress/Fim

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