
Espargos, 16 Mar (Inforpress) – O Presidente da República, José Maria Neves, defendeu hoje, na ilha do Sal, a necessidade de se acrescentar “muito mais valor” à pesca nacional e de se implementar um rigoroso ordenamento costeiro para impulsionar a economia azul.
O Chefe de Estado falava à imprensa à margem da mesa redonda “Conhecer o Oceano, Fortalecer as Comunidades Costeiras”, um evento promovido pela Associação dos Armadores de Pesca de Cabo Verde (APESCA), em parceria com a Presidência da República.
O encontro serviu como o primeiro pré-evento da V Conferência sobre a Década dos Oceanos, que terá lugar este ano na ilha da Boa Vista.
José Maria Neves destacou que os subsídios recolhidos neste encontro serão “fundamentais” para a sua participação na conferência internacional, sublinhando que o foco deve estar no fortalecimento das comunidades que vivem do mar.
“Temos de garantir que a pesca artesanal e a pesca semi-industrial tenham possibilidades de continuar a funcionar, mas também que haja a possibilidade de acrescentarmos muito mais valor à pesca que é feita, criando mais oportunidades e condições para o desenvolvimento das comunidades”, afirmou o mais alto magistrado da Nação.
O Presidente apontou ainda desafios críticos, como as mudanças climáticas e a gestão do contingente de pesca nas águas nacionais face aos acordos com frotas estrangeiras, defendendo medidas políticas que protejam os recursos internos.
Questionado sobre o estado dos investimentos no sector, José Maria Neves reconheceu o crescimento do turismo e de áreas emergentes como os desportos náuticos, mas alertou para a urgência de um melhor planeamento das obras costeiras.
“Temos de tomar algumas medidas no domínio do ordenamento para que os agentes desportivos e instrutores tenham acesso a espaços adequados para desenvolver as suas actividades através de instalações condignas”, frisou.
Na mesma ocasião, o presidente da Associação dos Armadores de Pesca de Cabo Verde, Suzano Vicente, procedeu à entrega simbólica da versão preliminar do documento “Contribuições Estratégicas para o Sector das Pescas 2026-2036” ao Chefe de Estado.
Segundo Suzano Vicente, o documento resulta de um périplo nacional iniciado em Junho do ano passado, ouvindo pescadores, armadores, peixeiras e especialistas.
“Este documento é uma triangulação de contribuições empíricas com o plano estratégico das políticas do mar. É um instrumento de grande valor para qualquer governo que saia das próximas eleições, pois o trabalho de terreno já está feito”, explicou.
O responsável da APESCA esclareceu que a passagem pelo Sal serve para "fechar com chave de ouro" o documento, integrando os contributos específicos da comunidade piscatória local antes da redacção da versão final, que será entregue formalmente ao Presidente da República e ao futuro Executivo.
A mesa redonda no Sal marca o arranque das discussões que vão culminar na “grande conferência” na Boa Vista, reafirmando a centralidade do oceano na agenda de desenvolvimento sustentável de Cabo Verde.
NA/ZS
Inforpress/Fim
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