
Espargos, 17 Jul (Inforpress) – O jornalista e investigador sociocultural Ildo Fortes defendeu hoje a abertura de um debate sobre a eventual criação do município de Santa Maria, já que o crescimento acelerado da principal zona turística do país exige nova reflexão governamental.
A posição foi defendida durante o anúncio da terceira etapa da homenagem aos antigos trabalhadores do aeroporto do Sal e respectivas famílias, transferidos para aeródromos portugueses na década de 1970.
Segundo o investigador, Santa Maria, actualmente considerada a capital do turismo cabo-verdiano, enfrenta desafios crescentes relacionados com o planeamento urbano, ordenamento do território, ambiente, segurança, abastecimento de água, energia, saúde, educação e pescas, decorrentes do aumento exponencial da população e da intensa dinâmica turística.
Neste contexto, reiterou a proposta, inicialmente apresentada pelo empresário Patone Lobo, em 2008, de promover um debate envolvendo a sociedade civil, o Governo, a autarquia e investigadores sobre a criação do Município de Santa Maria.
A mesma fonte alertou, igualmente, para o risco de "alienação cultural" caso não sejam adoptadas medidas para preservar a memória colectiva da ilha.
O investigador recordou que Santa Maria foi o primeiro núcleo populacional da ilha do Sal, fundado em 1834 por Manuel António Martins, e que o Município do Sal foi criado em 1935 com sede naquela localidade.
Na sua perspectiva, a transferência da sede do concelho para os Espargos, em 1977, merece ser analisada à luz do enquadramento jurídico e da evolução histórica da ilha, defendendo uma reflexão sobre uma eventual reorganização administrativa.
Paralelamente, Ildo Rocha Fortes anunciou que a ilha do Faial, nos Açores, vai acolher, de 01 a 04 de Outubro, a terceira etapa da homenagem aos antigos trabalhadores do aeroporto do Sal e respectivas famílias, transferidos para aeródromos portugueses na década de 1970.
Conforme explicou, esta nova etapa dá continuidade ao projecto iniciado na ilha do Sal, em Julho de 2025, seguido de uma segunda fase realizada na ilha de Santa Maria, nos Açores, em Junho deste ano, tendo agora como palco o município de Faial.
Segundo a mesma fonte, a Câmara Municipal de Faial já concluiu os preparativos para acolher a homenagem, que incluirá actividades evocativas e filmagens destinadas ao documentário "Cabo Verde 50 anos: Tempo de Reencontros", dedicado à preservação da memória dos trabalhadores do aeroporto do Sal que emigraram para Portugal na década de 1970.
O evento contará com a presença do bispo da Diocese do Mindelo, Dom Ildo Fortes, que integra também esta história por ter feito parte do grupo de famílias que deixou a ilha do Sal na última ponte aérea, realizada pela TAP, a 04 de Julho de 1975, na véspera da proclamação da independência nacional.
Na ocasião, o investigador anunciou igualmente o lançamento do seu primeiro livro sobre a história da ilha do Sal, também intitulado "Cabo Verde 50 anos: Tempo de Reencontros".
Segundo explicou, a obra retrata a evolução histórica da ilha desde a sua descoberta, em 1460, dedicando especial atenção ao desenvolvimento da aviação no Sal, iniciado em 15 de Agosto de 1939, com a aterragem do primeiro avião italiano na zona de Parda, em Pedra de Lume.
"O livro faz uma análise profunda dos movimentos migratórios entre o Sal e a Diáspora, incidindo nas razões e motivações dos que ficaram na ilha depois da independência, dos que partiram, como os trabalhadores do aeroporto, e daqueles que decidiram regressar para a reconstrução do país", explicou.
A publicação resulta de investigação histórica e de entrevistas com diversas personalidades ligadas ao percurso de desenvolvimento da ilha, procurando preservar a memória colectiva e valorizar o património histórico, cultural e natural do Sal.
NA/AA
Inforpress/Fim
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