
Espargos, 14 Mai (Inforpress) - A Associação dos Profissionais de Telecomunicações e Aeronáutica (APTA) denunciou hoje o que classifica de “actos de represália e vingança" por parte da administração da empresa Aeroportos e Segurança Aérea (ASA), na sequência das recentes greves de trabalhadores.
Em nota enviada à Inforpress, a APTA, que representa as classes de Técnicos de Telecomunicações Aeronáuticas (TTA), Técnicos de Informação e Comunicações Aeronáuticas (TICA) e Pessoal de Apoio à Gestão, afirma que a administração iniciou uma "caça às bruxas" após o processo de luta laboral ocorrido no início deste ano.
O documento detalha que após dois pré-avisos de greve, um dos quais culminou numa paralisação efetiva e outro suspenso após acordo, a administração da ASA terá passado a concretizar "ameaças veladas" que haviam sido proferidas durante as negociações mediadas pela Direcção Regional do Trabalho.
A denúncia incide sobre a recente rescisão do contrato de trabalho de um técnico com dois anos de serviço, acto que a APTA classifica como "vil, baixo e cruel".
De acordo com a associação, a notificação entregue ao trabalhador não apresenta "qualquer justificação formal".
"Acresce que a ASA procedeu à contratação de outro técnico para assumir as mesmas funções desempenhadas pelo trabalhador cujo contrato foi rescindido, facto que agrava ainda mais a situação", lê-se no comunicado, que vincula diretamente o despedimento à participação ativa do funcionário no processo de greve.
A associação alerta ainda para a situação de vários outros técnicos operacionais com contratos a termo certo que, tendo aderido à luta laboral, enfrentam agora a "ameaça explícita" de não renovação dos seus vínculos.
A APTA sublinha que tal conduta coloca inúmeras famílias em situação de vulnerabilidade.
Para os representantes dos trabalhadores, a actual administração da ASA está a agir sob uma lógica de "quero, posso e mando", o que, no seu entender, compromete a reputação de uma das maiores empresas do país.
A APTA recorda que a greve é um "direito fundamental previsto na Constituição" e que as entidades empregadoras devem respeitar esta manifestação legítima sem adotar medidas punitivas.
"Manifestamos publicamente o nosso mais veemente repúdio e descontentamento, alertando a administração de que estamos dispostos a adotar medidas firmes e fortes caso persista nesta conduta", conclui a nota.
Os trabalhadores reafirmam o compromisso com a profissão e com o cumprimento dos seus deveres, mas garantem que manterão a defesa firme dos seus direitos laborais.
A Inforpress contactou a administração da ASA, no sentido de obter o posicionamento da empresa face às acusações proferidas pela APTA, e aguarda uma resposta oficial sobre o assunto.
NA/AA
Inforpress/Fim
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