Governo vai reforçar política de cuidados e promover políticas de conciliação entre vida profissional familiar e pessoal

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Governo vai reforçar política de cuidados e promover políticas de conciliação entre vida profissional familiar e pessoal
31/07/26 - 04:49 pm

Cidade da Praia, 31 Jul (Inforpress) – O Governo vai reforçar a política nacional de cuidados através do alargamento da rede de creches, da melhoria dos centros de dia e da promoção de medidas de conciliação entre a vida profissional e familiar.

O anúncio foi feito hoje pela ministra da Família, Inclusão, Desenvolvimento Social e Trabalho, Adélsia Almeida, durante a apresentação pública do relatório "Uso do Tempo e Trabalho Não Remunerado (TNR), 2024", elaborado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e pelo Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade de Género (ICIEG).

A governante sublinhou que os dados do estudo revelam que o trabalho não remunerado representa cerca de 9,6% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, equivalente a aproximadamente 27,2 milhões de escudos anuais, um valor que continua invisível nas contas oficiais, mas indispensável à economia.

Diante do diagnóstico, a ministra comprometeu-se com o fortalecimento do apoio ao domicílio, a atenção a idosos e pessoas com dependência, bem como com a sensibilização para a divisão equitativa das tarefas domésticas e de cuidado entre homens e mulheres.

“Reduzir a pobreza do tempo das mulheres é uma condição indispensável para ampliar a sua participação no mercado de trabalho, fortalecer a sua autonomia económica e promover um crescimento mais inclusivo e sustentável”, afirmou Adélsia Almeida.

Por seu turno, o representante residente do PNUD, UNFPA e UNICEF em Cabo Verde, David Matern, frisou que no continente africano as mulheres dedicam, em média, três vezes e meio mais tempo às tarefas de cuidado não remuneradas do que os homens e na África subsaariana, quase três quartos destes trabalhos são realizados por mulheres.

O diplomata considerou que este relatório tem um valor estratégico para Cabo Verde, e neste sentido sugeriu que o país reconheça o trabalho não remunerado como trabalho valioso e qualificado de modo a sustentar a sociedade e a economia.

Por outro lado, David Matern defendeu, mais investimento em infraestruturas e serviços públicos que reduzam o fardo do trabalho não remunerado, como por exemplo, o acesso à água e à eletricidade, os serviços de cuidado de idosos, reduzindo dramaticamente o tempo que as mulheres gastam nestas tarefas.

Para concluir, assegurou que o UNFPA reforça o seu compromisso com os direitos das mulheres, a eliminação da violência baseada no gênero, a utilização de dados e evidências para orientar políticas públicas mais inclusivas.

A cerimónia, presidida pela ministra Adélsia Almeida contou com as intervenções do representante do sistema das Nações Unidas, David Matern, do presidente do INE, João de Pina Cardoso, e da presidente do ICIEG, Marisa Carvalho.

AV/CP

Inforpress/Fim

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