
São Filipe, 14 Ago (Inforpress) - O ministro da Saúde, Lúcio Fernandes, apontou a falta de recursos humanos, sobretudo médicos e especialistas, e de ambulâncias como os principais desafios do sector da saúde na ilha do Fogo.
Lúcio Fernandes fez estas declarações após uma visita pormenorizada aos três municípios da ilha, com um dia dedicado a cada concelho, durante a qual avaliou as infra-estruturas e o funcionamento das unidades de saúde e defendeu uma reorganização dos serviços para melhorar a resposta às populações.
Segundo o ministro, a falta de médicos clínicos gerais é particularmente sentida no Hospital Regional São Francisco de Assis, que funciona com um número reduzido de profissionais, obrigando-os a realizar várias urgências por mês, situação que considerou desgastante.
O governante garantiu que o Executivo pretende reforçar, “o mais rápido possível”, a equipa médica do hospital regional, tanto para assegurar o serviço de urgência como para aumentar a capacidade de realização de consultas.
Em relação às infra-estruturas, Lúcio Fernandes considerou que o Hospital Regional São Francisco de Assis, de construção relativamente recente, “encontra-se em boas condições”, embora necessite de algumas melhorias.
Já o Centro de Saúde e a Delegacia de Saúde dos Mosteiros, que assinalou hoje 16 anos, também foram consideradas “em boas condições”.
Já com relação à Delegacia de Saúde de São Filipe, instalada num edifício construído em 1937, necessita, segundo o ministro, de uma intervenção profunda e os técnicos deverão avaliar se a estrutura poderá ser preservada através de uma remodelação ou se será necessária a construção de um novo edifício.
Em Santa Catarina do Fogo, o centro de saúde funciona num espaço adaptado, havendo, no futuro, a necessidade de se construir uma unidade de raiz para responder às necessidades do município.
O ministro anunciou ainda que o Governo pretende adquirir, durante o próximo mês, uma nova ambulância para a ilha, reconhecendo a insuficiência dos meios de transporte sanitário existentes.
Lúcio Fernandes defendeu, entretanto, a necessidade de optimizar os recursos disponíveis, evitando a duplicação de equipamentos e serviços em todas as estruturas de saúde da ilha.
Segundo explicou, é necessário reforçar a capacidade instalada no hospital regional e garantir meios eficazes para o transporte de doentes e de amostras.
Quanto à falta de especialistas, o governante admitiu que praticamente não existem profissionais disponíveis para contratação imediata e revelou que o ministério mantém contactos com especialistas cabo-verdianos no exterior, incluindo um neurocirurgião que deverá regressar ao país em Outubro.
Para responder ao déficit de especialistas, o Governo pretende reforçar a formação no exterior, através de vagas disponibilizadas por países parceiros, e avançar com formação médica especializada em Cabo Verde.
Lúcio Fernandes reconheceu que houve um déficit na formação de especialistas nos últimos anos, mas assegurou que existe actualmente um programa para formação.
O ministro anunciou também um levantamento das unidades básicas de saúde e postos sanitários da ilha, a ser realizado pelo secretário de Estado da Saúde, para identificar necessidades de reabilitação e de recursos humanos.
Defendeu que os postos sanitários devem contar com enfermeiros permanentes, capazes de realizar procedimentos básicos, como medir a tensão arterial, peso e glicemia, permitindo um acompanhamento mais rigoroso dos pacientes.
Entre as localidades identificadas estão Ponta Verde e Patim, em São Filipe, e Relva e Ribeira do Ilhéu, nos Mosteiros.
Sobre a falta de pílulas contraceptivas, Lúcio Fernandes confirmou que o problema existe, mas rejeitou a ideia de que se trate de uma estratégia para aumentar a natalidade e explicou que o país enfrenta dificuldades na aquisição de medicamentos e materiais hospitalares.
Segundo o ministro, quando o actual Governo assumiu funções, o orçamento para a compra de medicamentos apresentava um saldo negativo de 130 milhões de escudos.
Por isso, foram disponibilizados mais 300 milhões de escudos, através do orçamento rectificativo, para garantir a aquisição de medicamentos e materiais hospitalares e evitar rupturas até ao final do ano.
JR/ZS
Inforpress/Fim
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