
São Filipe, 20 Nov (Inforpress) - A sessão solene comemorativa dos 20 anos da criação do Município de Santa Catarina do Fogo ficou marcada por visões divergentes entre os líderes municipais do MpD e do PAICV.
O momento que deveria simbolizar “duas décadas de resiliência, esperança e sonho” ficou marcado por duas visões diferentes da realidade e do percurso de Santa Catarina do Fogo enquanto município.
O líder do MpD (Movimento para a Democracia) na Assembleia Municipal, Luís Alves, afirmou que a data, que deveria celebrar o progresso, “contrasta com o estado real do município”.
No seu entender, Santa Catarina “está sem rumo, sem visão e sem políticas sociais”, situação que, considera, ficou evidente durante a discussão do plano de actividades e orçamento de 2026.
O líder da oposição apontou um défice de 15.500 contos, ausência de medidas de combate à pobreza, falta de políticas de emprego digno para jovens e um aumento do endividamento que, segundo o mesmo, “compromete o futuro do município”.
Criticou o que classificou como práticas “nepotistas e clientelistas”, despedimentos arbitrários e perseguições políticas.
Luís Alves destacou que há “obras abandonadas, projectos paralisados e comunidades esquecidas”, acusando o presidente da câmara de estar distante dos munícipes.
Para o MpD, o orçamento de 2026 representa “mais dívida e zero visão social”, defendendo que Santa Catarina precisa de “liderança verdadeira, corajosa e competente”.
Por sua vez, a líder do PAICV (Partido Africano da Independência de Cabo Verde) na Assembleia Municipal, Clara Andrade, considerou que Santa Catarina é “um dos municípios mais pobres de Cabo Verde” e que a ilha do Fogo carece de infra-estruturas estratégicas como porto e aeroporto.
Para Clara Andrade, as dificuldades actuais, agravadas pela fraca produção agrícola, custos de vida elevados e falhas nos serviços de transporte, água e energia, exigem uma nova visão do Governo central.
A líder do PAICV apelou ao Executivo para reforçar os investimentos em saúde, dotando a ilha de especialidades médicas e equipamentos laboratoriais, concluir obras inacabadas e desbloquear apoios para agricultores e criadores afectados por incêndios.
Defendeu ainda a necessidade de modernizar a agricultura e reforçar parcerias com entidades como o Banco Mundial.
Clara Andrade criticou a dimensão do Fundo de Financiamento Municipal, afirmando que Santa Catarina recebe “menos de 100 mil contos, a única câmara do país abaixo desse valor”, sem apoio adicional do fundo de solidariedade municipal.
Para a líder do PAICV, o município precisa urgentemente de “solidariedade acrescida do Governo” para enfrentar os seus desafios estruturais.
A sessão, marcada por análises críticas e pedidos de maior apoio estatal, reflectiu duas visões distintas, mas convergentes na conclusão de que Santa Catarina do Fogo precisa de respostas estruturais para cumprir o sonho projectado há duas décadas, de ter um município desenvolvido.
JR/ZS
Inforpress/Fim
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