
São Filipe, 19 Nov (Inforpress) - A Juventude do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (JPAI) classificou hoje o Orçamento do Estado para 2026 como “eleitoralista, atípico e profundamente distante das aspirações dos jovens cabo-verdianos”.
Para a JPAI, segundo o seu presidente Fidel Cardoso, o orçamento não responde às necessidades reais do país, continua a não dar respostas para o presente e o futuro da juventude e reduz investimentos estratégicos, ao mesmo tempo que agrava o endividamento e aumenta a dependência de dívidas de curto prazo, comprometendo o futuro das próximas gerações.
Em conferência de imprensa o presidente da JPAI sublinhou que o orçamento é apresentado às vésperas das eleições e que será executado por um novo governo, o que, no seu entender, exigirá uma rectificação já em 2026 “em nome da responsabilidade e da defesa dos interesses da juventude”.
A JPAI acusa o Governo de apresentar “mais propaganda do que políticas, mais anúncios do que execução”, afirmando que o executivo continua incapaz de criar mecanismos reais de inclusão económica.
Critica ainda o facto de o orçamento não definir metas de criação de emprego, não combater a precariedade e não valorizar jovens técnicos e recém-formados, contribuindo para a fuga de talentos numa fase em que vários sectores já enfrentam escassez de mão-de-obra.
Citando dados do INE, a JPAI referiu que, entre 2016 e 2024, a taxa de actividade caiu de 63,7% para 58,3%, enquanto a taxa de inactividade aumentou para 41,7%.
No mesmo período, a população activa reduziu-se cerca de 12%, passando de aproximadamente 247 mil para 216 mil pessoas, enquanto a população inactiva cresceu cerca de 10%, passando de 140 para 155 mil.
Fidel Cardoso referiu-se ainda à inequívoca emigração massiva da população activa e à metodologia do cálculo que remete para população inactiva cerca de 17 mil indivíduos tão simplesmente porque respondem que não há trabalho.
A JPAI entende que o Governo insiste em afirmar que está a reforçar o ensino superior, mas acusa o MpD de não ter resolvido problemas antigos como dívidas de propinas, bolsas insuficientes e exclusão por razões económicas.
Classificou como medidas “eleitoralistas” os recentes anúncios de bolsas de estudo, programas de emprego para universitários e incentivos para habitação jovem.
No campo da habitação, o dirigente juvenil acusou o Governo de quase uma década sem políticas eficazes, mantendo os jovens afastados dos centros urbanos por falta de condições e de programas reais de apoio ao arrendamento ou à compra da primeira casa.
Fidel Cardoso afirmou que o OE 2026 “não irá resolver os principais desafios da juventude cabo-verdiana” e defendeu que só um novo governo liderado pelo PAICV, a partir de 2026, poderá oferecer uma visão capaz de colocar os jovens no centro do desenvolvimento do país.
“Os jovens precisam sentir que são o presente e o futuro e que enquanto não houver mudança e nenhuma esperança para os jovens, não resolveremos os problemas deste país”, disse Fidel Cardoso, que acredita que os jovens são inteligentes e vão fazer a leitura das promessas megalómanas apresentadas nas vésperas das eleições.
JR/ZS
Inforpress/Fim
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