Fogo: Centenas de fiéis celebram hoje a tradicional festa de Nossa Senhora do Socorro

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Fogo: Centenas de fiéis celebram hoje a tradicional festa de Nossa Senhora do Socorro
05/08/26 - 11:08 am

São Filipe, 05 Ago (Inforpress) – Centenas de fiéis de diferentes localidades da ilha do Fogo e da diáspora são esperados hoje no Santuário de Nossa Senhora do Socorro, para celebrar a tradicional festa religiosa em honra da padroeira dos viajantes, náufragos e emigrantes.

O ponto alto do programa religioso está reservado para as 10:30, com a celebração da missa solene, presidida pelo pároco da Paróquia de Santa Catarina do Fogo, José Spínola, seguida da habitual procissão.

A mobilização de peregrinos é reforçada pela tolerância de ponto concedida pela Câmara Municipal de São Filipe para todo o dia no concelho.

Desde o alvorecer, grupos de fiéis cumprem a pé o percurso de cerca de dez quilómetros entre a cidade e o santuário, enquanto a maioria opta pelo transporte rodoviário.

Situado a pouco mais de 10 quilómetros a sul da cidade de São Filipe, o Santuário de Nossa Senhora do Socorro recebe visitantes durante todo o ano, atingindo o maior movimento no dia 05 de Agosto.

A capela, hoje santuário, foi construída pelo Padre Amaro Monteiro Pereira Rebelo nos meados do século XVIII e sempre foi uma capela particular à semelhança de outras que existem em várias localidades da ilha, passando a ser propriedade do sobrinho mais velho do Padre, depois da morte deste da irmã, Maria Fidalga Monteiro Pereira de Rebelo.

Em 1999 com a morte da última proprietária, Ana Gisela, o seu filho residente nos Estados Unidos da América vendeu o santuário aos amigos da família, os capuchinhos.

Dados históricos apontam pela ocorrência de vários incêndios na capela devido às velas deixadas acesas, tendo o último incêndio ocorrido no tempo de José Joaquim Barbosa Vicente, nos finais de 1800, tendo sido restaurada no princípio de 1900.

A construção da capela de Nossa Senhora do Socorro envolve algumas lendas e por exemplo, conta-se que um pastor teria encontrado a estatueta da santa numa escavação da rocha de António de Pina, perto do local onde foi erguida a capela, e a teria levado para a então vila de São Filipe (actual cidade).

O pároco teria colocado a estatueta no altar, mas que no dia seguinte, quando o pastor foi à igreja, encontrou a estatueta atrás da porta, tendo-a colocada de novo no altar, mas três dias depois a imagem da Santa voltou ao local inicial e, conforme a lenda, a santa teria conversado com o pastor.

Na data da construção da capela, reza a história, não havia material de construção civil (madeira) na ilha, mas foram encontradas, numa pequena praia, próxima do local onde se veio a erguer a capela, pranchas de madeiras que foram usadas na sua construção, facto que as pessoas consideraram na altura como milagre da Nossa Senhora do Socorro.

Para algumas pessoas a madeira provinha de um barco que teria naufragado nas proximidades e a estatueta deveria pertencer a um dos passageiros, já que a Nossa senhora é padroeira dos viajantes e náufragos.

Até hoje permanece a superstição de que se algum membro da família quisesse construir uma casa perto da capela acabaria por morrer antes da sua conclusão, e por coincidência ou não, um elemento da família que quis construir uma casa nas proximidades da capela para criar melhores comodidades para os que preparavam banquete para o dia 05 de Agosto, morreu antes da sua conclusão.

Conforme a vontade da última proprietária, Gizela Vasconcelos Barbosa Vicente de Pina, os Irmãos Capuchinhos, compraram no ano 2000, a capela e o terreno à sua volta com o objectivo de cuidar da capela secular, servindo de melhor forma à devoção mariana da ilha.

JR/CP

Inforpress/Fim

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