
São Filipe, 06 Out (Inforpress) – Oito pessoas continuam assinaladas com “bandeira vermelha” um mês após o acidente de viação ocorrido no Fogo, segundo o psicólogo clínico Olivar Ribeiro, que considera positivo o balanço da intervenção psicológica junto das famílias afectadas.
Olivar Ribeiro explicou que a equipa de intervenção, constituída inicialmente por cerca de 10 psicólogos e assistentes sociais, chegou ao terreno menos de 24 horas após o acidente, tendo identificado as 25 famílias afectadas e as pessoas que apresentavam maiores dificuldades em lidar com o luto.
Segundo o psicólogo, na primeira semana foram identificados 30 casos de “bandeira vermelha”, considerados de alta prioridade e que necessitavam de acompanhamento pelo menos três vezes por semana, além de mais de 20 casos classificados com “bandeira laranja”, de prioridade intermédia.
A classificação incluiu ainda as bandeiras amarela, para acompanhamento semanal, e azul, para acompanhamento a cada dez dias.
“Na quarta semana já identificámos muitos resultados positivos”, afirmou Olivar Ribeiro, salientando que a redução para oito pessoas com bandeira vermelha demonstra a evolução registada durante os primeiros 30 dias de intervenção.
Estas oito pessoas já não estão apenas a receber primeiros socorros psicológicos, mas acompanhamento clínico e psicoterapêutico, devendo continuar sob observação até que seja possível reduzir progressivamente a intensidade do acompanhamento.
O psicólogo destacou que, em algumas famílias, o processo de luto é colectivo, devido à perda de vários familiares no mesmo acidente, situação que exigiu uma abordagem específica por parte da equipa.
A intervenção incluiu igualmente o acompanhamento das crianças no regresso às aulas e para facilitar a superação do trauma associado à viagem de autocarro, foram realizadas actividades de aproximação, incluindo deslocações de autocarro com as crianças e iniciativas desportivas.
A equipa trabalhou também com professores, preparando-os para identificar comportamentos que pudessem indicar necessidade de acompanhamento individualizado.
Com o cumprimento dos primeiros 30 dias, a estratégia entra agora numa nova fase, com redução gradual das visitas presenciais.
A equipa passará das intervenções diárias para visitas duas vezes por semana e, posteriormente, uma vez por semana, mantendo o monitoramento.
Olivar Ribeiro explicou que o objectivo não é abandonar as famílias, mas permitir que retomem progressivamente as suas rotinas, enquanto os profissionais acompanham eventuais sinais de luto crónico ou transtorno de stresse pós-traumático.
Foram ainda deixados profissionais na Delegacia de Saúde, na Delegação Escolar e no Hospital Regional São Francisco de Assis, além de uma linha verde gratuita para atendimento e encaminhamento de situações que necessitem de apoio.
Sob tutela do Ministério da Família, o Gabinete de Crise deverá manter-se em funcionamento durante um ano, permitindo acompanhar a evolução das famílias e intervir novamente caso seja necessário.
A equipa de acompanhamento marcou presença na missa do primeiro mês das 25 vítimas mortais do acidente ocorrido no dia 05 de Setembro no trajecto Chã das Caldeiras/Campanas de Cima.
Um cidadão de Santo Antão, Ribeira Grande, deslocou-se à ilha do Fogo com o propósito de participar na missa do primeiro mês e manifestar a sua solidariedade às famílias das vítimas.
JR/HF
Inforpress/Fim
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