
Cidade da Praia, 14 Out (Inforpress) – O presidente da Sociedade Cabo-verdiana de Autores (Soca), Danny Spínola, defendeu hoje a necessidade do reforço do papel da comunicação social e da educação na preservação da identidade cultural cabo-verdiana, sobretudo junto das novas gerações.
Estas entrevista à Inforpress, a propósito do Dia Nacional da Cultura e das Comunidades, assinalado a 18 de Outubro, Danny Spínola considerou que a preservação da cultura cabo-verdiana exige um trabalho articulado entre a comunicação social, a educação e as instituições públicas.
Isto para, concretizou, garantir que os mais jovens conheçam e valorizem as manifestações culturais do país.
O presidente da Soca alerta sobretudo para os desafios colocados pela globalização e pela Inteligência artificial, pois, vincou, o acesso a internet torna mais difícil a preservação da cultura cabo-verdiana, uma vez que existe o risco de perder parte daquilo que caracteriza o país.
“Há tendência para perdermos muito do que é nosso” acrescentou.
Neste cenário, considerou que a utilização destas ferramentas da Inteligência Artificial (IA) sem o devido cuidado, e não fazer um trabalho próprio pode constituir um risco.
Segundo a mesma fonte, a comunicação social deve apostar em programas culturais que divulguem a música, a literatura, as artes e outras expressões da identidade nacional, sublinhando que a cultura, a comunicação social e a educação devem estar de mãos dadas.
“Um aspecto importante que é uma trindade, no sentido de que a cultura, a educação e a comunicação social devem estar nos dados para podermos preservar e divulgar e, portanto, mostrar o que é nosso para não haver confusão”, precisou.
Questionado sobre os elementos que melhor representam a identidade cultural cabo-verdiana e que devem ser preservados, o presidente da Soca apontou a música como a principal expressão cultural do país, seguindo-se a literatura, as manifestações culturais tradicionais, como as festas de romaria e as artes plásticas.
Na sua perspectiva, a literatura cabo-verdiana tem demonstrado vitalidade e conseguido afirmar-se também na diáspora, enquanto a pintura tem registado um crescimento significativo nos últimos tempos.
Em relação ao artesanato, considerou que ainda é necessário desenvolver um trabalho mais aprofundado para se alcançar uma produção com maior identidade nacional, à semelhança do que existia no passado.
Relativamente ao significado do Dia Nacional da Cultura e das Comunidades para a Soca, Danny Spínola considerou tratar-se de uma efeméride importante, que a instituição assinala habitualmente com diversas actividades, tanto em Cabo Verde como na diáspora.
Para este ano, embora a instituição não tenha programado muitas iniciativas, estão previstos o lançamento de uma nova revista e um encontro com autores e artistas na ilha do Maio, para abordar a questão dos direitos autorais.
Quanto aos investimentos destinados à cultura por parte das entidades públicas e privadas, o presidente da Soca considerou que embora alguns ministérios tenham conseguido desenvolver um trabalho positivo, mas de uma forma geral, nem sempre estiveram à altura das necessidades do sector.
Como mensagem final às instituições e aos artistas, sobretudo aos mais jovens, Danny Spínola apelou à aplicação da Lei do Mecenato, que considerou um instrumento importante para apoiar a criação e a divulgação cultural.
JBR/AA
Inforpress/Fim
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