
Cidade da Praia, 19 Out (Inforpress) - A directora da Artiletra fez hoje um balanço “positivo” dos 35 anos do jornal/revista e afirmou que a publicação tem promovido a investigação, a preservação da memória histórica, a criatividade e a valorização do conhecimento produzido no país.
Em entrevista à Inforpress, ao fazer o balanço do percurso da Artiletra nesses 35 anos, Larissa Rodrigues, salientou que as iniciativas desenvolvidas junto das escolas, incluindo a oferta de exemplares, aulas abertas, palestras, vídeos de estudo e a produção de materiais pedagógicos são um dos feitos importantes da trajectória da revista.
Entre esses materiais, destacam-se as bandas desenhadas e histórias ilustradas, que, segundo afirmou, despertaram o interesse de crianças do ensino básico e ajudaram os professores a abordar conteúdos relacionados com a língua portuguesa, a cultura cabo-verdiana e outras disciplinas.
Aquela responsável considerou que estas iniciativas permitiram aproximar diferentes gerações da leitura e do conhecimento, oferecendo aos alunos a possibilidade de descobrir novos temas e desenvolver interesses que poderão influenciar as suas escolhas profissionais futuras.
Apesar dos avanços registados no combate ao analfabetismo, Larissa Rodrigues alertou para a necessidade de reforçar os hábitos de leitura de qualidade, defendendo que o acesso crescente às redes sociais não substitui o contacto com conteúdos que estimulem a reflexão e o pensamento crítico.
“Não precisamos, em Cabo Verde, de uma cultura da mediocridade. Precisamos cultivar a cultura da excelência, da qualidade”, defendeu, sublinhando a importância de investir na formação de leitores e na valorização do conhecimento.
Questionada sobre os desafios que a revista enfrenta num contexto de crescente circulação digital da informação, a directora afirmou que a publicação continua a valorizar o formato impresso, sem deixar de preparar alternativas digitais para chegar a leitores que vivem fora do país ou que se encontram distantes dos principais centros de distribuição.
Segundo explicou, os custos de envio postal para as ilhas e para a diáspora constituem uma dificuldade, razão pela qual a revista procura diversificar os meios de acesso aos seus conteúdos.
Além disso, apontou a sustentabilidade financeira, a distribuição dos exemplares e a necessidade de criar melhores condições para manter colaboradores e assegurar a continuidade da imprensa cultural, como outras principais dificuldades da Artiletra ao longo dessas três décadas.
Perante estes desafios, Larissa Rodrigues considerou ainda necessário rever os mecanismos de apoio público à comunicação social escrita, defendendo a possibilidade de criação de um fundo específico que facilite o financiamento e a sobrevivência dos periódicos cabo-verdianos, sobretudo daqueles que, pelas suas características, não dependem de receitas provenientes de anúncios classificados.
DG/ZS
Inforpress/Fim
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