
Cidade da Praia, 09 Abr (Inforpress) – O presidente da PD Consult, Paulino Dias, defendeu hoje que Cabo Verde deve definir “valores âncora” e reforçar a resiliência económica para enfrentar imprevisibilidades globais, impulsionadas por tensões geopolíticas, mudanças climáticas e avanços tecnológicos.
Paulino Dias falava à imprensa momentos antes de conduzir o painel “Ciências Empresariais num mundo de Imprevisibilidades” na III edição do Congresso Internacional em Ciências Empresariais, realizado na Universidade de Santiago.
Na sua análise, o actual cenário global é caracterizado por múltiplas fontes de instabilidade, sendo a primeira as tensões geopolíticas à escala internacional, que influenciam "directamente as dinâmicas económicas e os mercados".
Segundo explicou, os Estados estão cada vez mais a afirmar os seus valores, interesses estratégicos e prioridades, numa interacção complexa que se reflecte nas decisões económicas globais e nos fluxos comerciais.
Um segundo factor de imprevisibilidade apontado pelo economista são as mudanças climáticas, cujos efeitos, incluindo a elevação da temperatura dos oceanos, o aumento do nível do mar e a intensificação de eventos extremos, influenciam directamente a economia, a actividade empresarial e a estrutura produtiva dos países.
Para Paulino Dias, a terceira força transformadora é a aceleração das mudanças tecnológicas, com enfoque para a inteligência artificial e outras tecnologias emergentes, que estão a redefinir processos produtivos, modelos de negócio e a própria forma de ensinar e aprender nas universidades.
Perante este quadro, considerou que, sendo Cabo Verde uma pequena economia aberta e altamente dependente do exterior, se torna essencial clarificar os seus “valores âncora” no plano internacional, nomeadamente no domínio dos direitos humanos, apontando a Carta das Nações Unidas como referência orientadora para o posicionamento do país no cenário externo.
“Um país que não tem capacidade para impor as suas vontades deve evitar comportar-se como um navio num mar agitado sem âncora”, advertiu, sublinhando que a definição clara de princípios orientadores permite maior coerência e previsibilidade na política externa.
No plano interno, exortou por maior resiliência económica, alertando para a vulnerabilidade do país a choques externos, sobretudo na segurança alimentar, lembrando que Cabo Verde importa cerca de 80 por cento (%) do que consome.
A propósito da recente instabilidade no Médio Oriente e do impacto nos preços do petróleo, o empresário alertou que, apesar de sinais de descida, as cadeias de valor associadas à energia são complexas e os efeitos de choque podem prolongar-se por semanas ou meses.
Para o especialista, o contexto actual exige maior articulação entre universidades e empresas, com currículos ajustados a um mundo volátil, preparando quadros aptos a gerir riscos e liderar a transformação económica.
O III Congresso Internacional em Ciências Empresariais, que decorre até sexta-feira, 10, é realizado na Universidade da Assomada e reúne académicos, estudantes e profissionais para debater os desafios da gestão e da economia em cenários de elevada complexidade, com foco na realidade cabo-verdiana e na necessidade de fortalecer a capacidade adaptativa das instituições.
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Inforpress/Fim
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