Director da EU Católica considera gratuitidade no ensino superior um desafio à qualidade (c/áudio)

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Director da EU Católica considera gratuitidade no ensino superior um desafio à qualidade (c/áudio)
23/09/26 - 12:42 pm

Cidade da Praia, 23 Set (Inforpress) – O director da Escola Universidade Católica de Cabo Verde considera a gratuitidade do ensino superior público, anunciada pelo Governo a partir deste ano lectivo 2026/27, um desafio para as universidades privadas de reforçarem a qualidade.

Em entrevista à Inforpress, José Eduardo Afonso afirmou que a medida pode, à partida, ser prejudicial para as instituições privadas, por criar aquilo que classificou como uma situação de “concorrência desleal”.

Segundo sublinhou, as universidades privadas têm desempenhado um papel importante na formação de técnicos e no aumento da qualidade do ensino superior em Cabo Verde.

“Portanto, desde a Uni-Piaget até a EU Católica, as universidades privadas têm sido quase que fermento de multiplicação de técnicos capacitados em Cabo Verde e não só, têm sido factor de aumento de qualidade, mesmo nas universidades públicas”, sustentou.

Na sua perspectiva, a gratuidade é um desafio à qualidade, para quem, neste novo contexto, a sobrevivência das universidades privadas passa por uma aposta clara na qualidade, levando as instituições privadas a reflectir sobre o seu papel e a procurar novas respostas para as necessidades da sociedade.

“Hoje, estou cada vez mais convencido que uma universidade privada só conseguirá subsistir se tiver aquilo que ninguém lhe pode tirar, que é a qualidade, a aposta na qualidade. Então, para mim, isto é um desafio de pensarmos novas formas de a universidade estar na sociedade”, sustentou.

O responsável defendeu que uma universidade não deve estar actualmente encerrada dentro das quatro paredes e prisioneira do modelo clássico das universidades, que formam indivíduos na licenciatura, mestrado, doutorado, mas sim, procurar ser capacidade de resposta.

Como exemplo dessa estratégia, apontou a criação pela EU-Católica da formação em Psicologia Positiva, que, segundo afirmou, não existe em outras universidades em Cabo Verde e foi muito bem acolhida, bem como o centro de atendimento associado ao curso.

Referiu ainda o projecto para a criação de um centro ligado ao curso da Ciência da Educação, Infância e Família, cuja orientação ainda está em análise, entre o apoio a crianças com necessidades especiais e uma abertura à sociedade em geral.

“Portando, haverá sempre novas oportunidades, e esta questão vai obrigar as universidades privadas a repensarem o seu posicionamento e a procurar formas de sobreviver neste contexto”, reforçou.

Apesar do desafio, afirmou que a instituição está “tranquila”, acreditando que a qualidade e a inovação podem abrir “uma nova era” para a EU-Católica.

A Escola Universitária Católica de Cabo Verde é uma instituição privada, criada em 01 de Janeiro de 2022 pelos bispos da Igreja Católica e reconhecida no mesmo ano pela entidade reguladora. 

Apresenta-se como uma instituição de ensino superior de cariz generalista e mantém cursos em Ciências da Educação, Infância e Família e Filosofia, além de várias pós-graduações, enquanto prepara a acreditação da licenciatura em Direito.

ET/HF

Inforpress/Fim 

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