
Mindelo, 24 Abr (Inforpress) – Cabo Verde apresenta casos de mieloma múltiplo acima da média internacional, um tipo de cancro que tem vindo a aumentar cada vez mais, declarou hoje no Mindelo, director clínico do Hospital Baptista de Sousa.
Paulo Almeida considerou que o mieloma múltiplo, um cancro hematológico da área da hematologia, foi, no ano passado, a terceira causa de cancro hematológico em Cabo Verde, o que demonstra a relevância crescente desta doença no contexto nacional.
Razão pela qual, frisou, o Hospital Baptista de Sousa decidiu realizar o primeiro simpósio sobre “Mieloma múltiplo - desafios no diagnóstico e tratamento em Cabo Verde”.
“Quando comparamos Cabo Verde com a média mundial, verificamos que o país apresenta cerca de 1,9 casos por cada 100 mil habitantes, enquanto a média internacional é de 1,8. Embora pareça um número reduzido, em termos proporcionais é elevado”, explicou, acrescentando que entre 2024 e 2025 foram registados 27 novos casos, além dos já acumulados.
Face a este cenário, Paulo Almeida, que é também é responsável pelas áreas de Cirurgia e Oncologia no hospital, reiterou que o combate ao aumento da incidência do mieloma múltiplo no país passa, sobretudo, por uma maior atenção ao diagnóstico atempado.
“É importante fazer o diagnóstico, mas é ainda mais importante fazê-lo o mais cedo possível, porque quando a doença é detectada numa fase precoce, o tratamento e os resultados são muito melhores”, frisou.
Conforme a mesma fonte, o simpósio “Mieloma múltiplo - desafios no diagnóstico e tratamento em Cabo Verde” tem como objectivo sensibilizar tanto a população como os profissionais de saúde para a importância do reconhecimento dos sintomas e da utilização dos meios de diagnóstico disponíveis no país.
O evento visa ainda fortalecer a cooperação entre Cabo Verde e Portugal, contando com a participação de três representantes da Sociedade Portuguesa de Hematologia (SPH), com o propósito de melhorar a qualidade do diagnóstico e do tratamento no arquipélago.
Outro foco, acrescentou, é envolver os estudantes universitários da área da saúde considerados, segundo Paulo Almeida, como elementos importantes na divulgação de informação sobre a doença, nomeadamente no que diz respeito aos sinais, sintomas e exames necessários para a sua detecção precoce.
CD/AA
Inforpress/Fim
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