Diagnóstico revela que 35% dos inquiridos testemunharam situações de assédio sexual e 18% foram vítimas (c/áudio)

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Diagnóstico revela que 35% dos inquiridos testemunharam situações de assédio sexual e 18% foram vítimas  (c/áudio)
25/09/26 - 01:19 pm

Cidade da Praia, 25 Set (Inforpress) – Um diagnóstico sobre a percepção do risco de Exploração e Abuso Sexual/Assédio Sexual na educação e formação profissional, hoje divulgado, revelou que 35% dos inquiridos testemunharam situações, 18% dizem-se vítimas e 46% desconhecem os mecanismos de denúncia.

O estudo foi realizado pelo Instituto Cabo-verdiano para a Igualdade e Equidade de Género (ICIEG), em colaboração com a Unidade de Gestão de Projectos Especiais (UGPE), no âmbito das acções de sensibilização sobre Violência Baseada no Género (VBG), EAS/AS.

A presidente do ICIEG, Marisa Carvalho, explicou à comunicação social, que a pesquisa procurou produzir dados sobre uma área que, de acordo com a instituição, ainda não vinha sendo suficientemente abordada, com particular atenção à formação profissional.

Dos 66 inquiridos que participaram no estudo, 35 por cento (%) indicaram ter testemunhado situações que podem configurar abuso ou exploração sexual, enquanto 18 por cento (%) disseram ter passado por situações dessa natureza.

A responsável admitiu, contudo, que a dimensão da amostra constitui uma limitação do diagnóstico, mas realçou a relevância dos resultados obtidos, sobretudo perante as dificuldades de denúncia associadas a situações de violência.

“Para nós, um por cento (%) ou 0,1% já é demais, nenhuma pessoa deveria sofrer nenhum tipo de violência, principalmente num contexto educativo e formativo”, precisou Marisa Carvalho.

Além dos dados sobre a percepção das situações de EAS/AS, o diagnóstico identificou uma lacuna no conhecimento dos procedimentos de denúncia e protecção, tendo em conta que, segundo a mesma, 46% dos inquiridos desconhecem os mecanismos existentes para denunciar estas situações.

Como resposta a esta lacuna, o ICIEG apresentou também uma proposta de guia de procedimentos, destinada a orientar a actuação perante situações de abuso, exploração e assédio sexual. 

A responsável informou, por outro lado, que as vítimas podem recorrer directamente à instituição através da linha gratuita 800 18 18, disponível 24 horas por dia, com atendimento especializado e posterior encaminhamento para as entidades competentes.

Por sua vez, o ministro da Coordenação dos Projectos Especiais e Acessos a Fundos, José Carlos Varela, reconheceu a existência de situações de assédio sexual nos ambientes educativo e formativo e indicou o reforço institucional como uma das necessidades evidenciadas pelo estudo.

Conforme o governante, Cabo Verde dispõe de legislação relacionada com a igualdade de género e o assédio sexual, mas é necessário fortalecer a capacidade das instituições para responder às denúncias e garantir que os jovens não se sintam intimidados ao procurar apoio.

Quanto às medidas concretas a adoptar, o ministro informou que o estudo e as propostas dele decorrentes serão analisados pelo Governo antes da definição das próximas acções.

KF/HF

Inforpress/Fim 

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