
Cidade da Praia, 21 Abr (Inforpress) – A coordenadora residente do Sistema das Nações Unidas em Cabo Verde defendeu hoje que uma boa governação digital exige políticas públicas baseadas em evidências, dados, regulação clara, segurança cibernética e confiança digital.
Patrícia Portela falava na 6.ª edição do Fórum de Governação da Internet de Cabo Verde (IGF-CV), que exige a inclusão activa de mulheres, jovens, pessoas com deficiência, bem como uma cooperação estreita entre governo, município, sector privado, academia e toda a sociedade.
A responsável alertou, por outro lado, que governar o digital implica igualmente enfrentar os riscos, como a desinformação e a manipulação de conteúdos, tornando-se ameaças sistêmicas à democracia, à saúde pública e à coesão social.
“O uso das chamadas ‘deepfakes’ e de conteúdos gerados artificialmente pode enganar, difamar ou até silenciar o que mina a confiança nas pessoas e nos sistemas digitais e, sobretudo, os próprios factos”, completou.
Patrícia Portela sublinhou que estas tecnologias deixaram de ser temas do futuro, passando a influenciar directamente áreas como economia, serviços públicos, educação, saúde e até a geopolítica.
Considerou que a forma como o digital é governado actualmente será determinante para o sucesso ou fracasso do desenvolvimento sustentável, destacando que a transformação digital pode acelerar os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, desde que seja segura, inclusiva e baseada nos direitos humanos.
Segundo explicou, em Cabo Verde, a transformação digital foi definida como um dos três pilares de aceleração do desenvolvimento sustentável pelas Nações Unidas, ao lado da economia azul e do desenvolvimento local, já com impactos na inclusão económica, modernização dos serviços públicos e reforço da transparência.
Contudo, alertou que, sem uma governação adequada, o digital pode aprofundar desigualdades e excluir os grupos mais vulneráveis, defendendo que a governação da internet deve ser encarada como uma questão de direitos humanos e justiça social.
A responsável apontou riscos associados ao uso da inteligência artificial, nomeadamente quando algoritmos reproduzem preconceitos e desigualdades, afectando áreas como o acesso ao crédito, emprego, saúde e justiça, com impacto particular sobre mulheres, jovens, populações rurais e pessoas com deficiência.
O evento, promovido pela Agência Reguladora Multissetorial da Economia (ARME), continua na terça-feira, 22, com uma sessão de mentoria dedicada a meninas e jovens mulheres, em parceria com a SheTech e a Women in Tech.
O programa envolve estudantes de diferentes liceus da cidade da Praia, iniciativa insere-se na celebração do Dia Internacional das Meninas nas TIC, assinalado este ano, mundialmente, a 23 de Abril.
LT/AA
Inforpress/Fim
Partilhar