
Dacar, 24 Set (Inforpress) – O Conselho Superior da Magistratura Judicial (CSMJ) está a analisar a criação de plataformas tecnológicas para optimizar o acesso à jurisprudência e auxiliar os juízes na gestão processual através da inteligência artificial.
A revelação foi feita à Inforpress pelo presidente do CSMJ, Bernardino Delgado, em Dacar, Senegal, à margem da conferência internacional do Tribunal de Justiça da CEDEAO sobre a regulamentação do ciberespaço na África Ocidental.
O magistrado observou que estes outros projectos em análise, como mecanismos de inteligência artificial ao nível dos tribunais ainda estão sob ponderação, tendo em conta o carácter tradicionalmente conservador do sector da justiça.
“Temos sempre algum cuidado naquilo que poderá ser a substituição do homem pelo computador”, afirmou, esclarecendo que a questão exige uma abordagem cautelosa.
Neste sentido, Bernardino Delgado defendeu que o processo deve ser conduzido de forma gradual, de modo a permitir que sejam aproveitadas as potencialidades das ferramentas disponibilizadas pela inteligência artificial, sem comprometer o papel do juiz.
O presidente do CSMJ considerou ainda que as tarefas rotineiras e padronizadas podem ser particularmente adequadas à utilização da inteligência artificial, permitindo aos magistrados ganhar tempo e concentrar-se noutras componentes do processo.
A título de exemplo, apontou a elaboração dos relatórios das sentenças, que poderão ser parcialmente padronizados através de ferramentas de inteligência artificial.
Adiantou que outras componentes das sentenças poderão igualmente vir a ser trabalhadas com recurso à inteligência artificial, mas deixou claro que a decisão final continuará a caber ao juiz.
“À partida, no final, a sentença vai passar sempre pelo crivo do juiz”, afirmou, explicando que caberá ao magistrado avaliar o resultado produzido pela ferramenta de inteligência artificial e decidir se assume ou não no processo da elaboração da decisão judicial.
AV/CP
Inforpress/Fim
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