
Cidade da Praia, 24 Mar (Inforpress) - Cabo Verde registou uma diminuição no número de casos de tuberculose, passando de 156 em 2024 para 123 em 2025, anunciou hoje a coordenadora nacional do Programa de Luta contra a Tuberculose e Lepra.
Em entrevista à Inforpress, por ocasião do Dia Mundial de Combate à Tuberculose, que se assinala hoje, 24 de Março, Marta Freire classificou esta redução como um “ganho importante”, sublinhando que a tendência decrescente da incidência tem sido consistente ao longo dos últimos anos.
Segundo a responsável, dos 123 casos contabilizados no último ano, a maior concentração mantém-se no município da Praia, com 49 ocorrências, seguido da ilha de São Vicente, com 39 casos. A faixa etária mais afectada situa-se entre os 35 e os 44 anos, sendo o sexo masculino o mais atingido pela doença.
“A tuberculose não é apenas uma doença biomédica, mas também social”, defendeu Marta Freire, apontando o consumo de álcool e outras drogas, a sobrelotação habitacional e problemas nutricionais como os principais factores de risco que alimentam a patologia no arquipélago.
Os dados do relatório do programa nacional indicam que a taxa de incidência diminuído na última década, de 45 casos por cada 100 mil habitantes em 2015, para 35 em 2020, fixando-se em cerca de 30 casos em 2024.
Apesar dos progressos, a erradicação da doença, segundo a coordenadora, continua a ser um desafio global. No entanto, assinalou que Cabo Verde já atingiu metas iniciais da estratégia internacional de combate à tuberculose, com reduções significativas na incidência e mortalidade.
No capítulo do diagnóstico, Marta Freire anunciou que, a partir do próximo mês de Abril, o país será reforçado com novos equipamentos Xpert, tecnologia que permite identificar a doença em poucas horas, fortalecendo a rede já existente.
Quanto ao tratamento, a coordenadora destacou avanços importantes, nomeadamente a introdução de terapias orais para casos multirresistentes e regimes preventivos mais curtos, que facilitam a adesão dos pacientes.
Ainda assim, Marta Freire alertou para o desafio do diagnóstico tardio e da desistência do tratamento, que dura em média seis meses.
“Muitos pacientes sentem melhorias nas primeiras semanas e interrompem o tratamento, o que compromete a cura e pode gerar resistência”, explicou, assegurando que o tratamento é gratuito e com cobertura em todo o país e que estão em curso acções de sensibilização e acompanhamento para garantir o sucesso clínico.
A coordenadora nacional do Programa de Luta contra a Tuberculose e Lepra informou, por outro lado, que a vacinação BCG (Bacilo de Calmette-Guérin), continua a ser administrada à nascença, garantindo elevada cobertura e protecção contra formas graves da doença.
Quanto às metas do Plano Estratégico 2023-2027, a responsável destacou a prioridade na redução da mortalidade, o aumento do diagnóstico precoce e a eliminação do impacto socio-económico da doença nas famílias cabo-verdianas.
Marta Freire concluiu com um apelo à população para que procure os serviços de saúde perante sintomas como tosse persistente, febre e perda de peso, reforçando a mensagem de que “a tuberculose tem cura” se for tratada atempadamente.
DG/CP
Inforpress/Fim
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