Cáritas cabo-verdiana adapta resposta social às novas formas de pobreza – Dom Ildo Fortes

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Cáritas cabo-verdiana adapta resposta social às novas formas de pobreza – Dom Ildo Fortes
06/03/26 - 09:39 pm

Cidade da Praia, 06 Mar (Inforpress) – O presidente da Caritas cabo-verdiana, Dom Ildo Fortes, afirmou hoje que a instituição tem procurado cumprir o seu papel social ao longo dos últimos 50 anos, adaptando as suas respostas às novas realidades de pobreza no país.

Em declarações à Inforpress, à margem do acto das comemorações dos 50 anos da instituição, o também bispo da Diocese do Mindelo explicou que a Cáritas não é apenas uma instituição social, mas um organismo da Igreja com uma “forte dimensão caritativa”.

“O nosso papel é mesmo social com a nota caritativa. Nós não somos apenas uma instituição social, somos um organismo da Igreja”, sublinhou.

Segundo Dom Ildo Fortes, ao longo de cinco décadas a instituição tem consolidado e diversificado a sua actuação.

Recordou que, no passado, a Igreja e as paróquias, através da Cáritas, tinham um papel muito visível em sectores como a saúde e a educação.

Com o tempo, a estrutura da organização foi evoluindo e ampliando a sua presença no território nacional.

“Há 50 anos era uma só Cáritas. Hoje temos três estruturas: a Cáritas Cabo-verdiana, a nível nacional, e duas Cáritas diocesanas, para além de dezenas de Cáritas paroquiais espalhadas por todo o país”, explicou.

De acordo com o presidente, uma das principais características da Cáritas é o trabalho em rede, o que permite mobilizar rapidamente recursos humanos e materiais em situações de emergência.

Como exemplo, referiu a mobilização da rede da instituição após os acontecimentos de 11 de Agosto, bem como durante o período da pandemia da covid-19, quando foi necessário apoiar famílias em situação de maior vulnerabilidade.

“Toda a nossa rede se mobilizou com recursos internos e também com ajuda externa, envolvendo inclusive a diáspora cabo-verdiana e parceiros internacionais”, disse.

Dom Ildo Fortes destacou ainda o trabalho contínuo da instituição em zonas rurais, sobretudo nas ilhas de Santiago e Santo Antão, onde equipas de animadores comunitários acompanham agricultores e criadores de gado.

Entre as iniciativas desenvolvidas estão a introdução de técnicas agrícolas mais eficientes, sistemas de irrigação gota-a-gota, construção de cisternas e apoio à criação de infra-estruturas para a produção pecuária.

“Temos ajudado as famílias a tornarem-se mais autónomas, criando condições para que possam melhorar a sua produção e rendimento”, frisou.

Contudo, o responsável alertou que as mudanças económicas e sociais trouxeram novas formas de pobreza que exigem respostas diferentes.

Segundo explicou, o crescimento das cidades, o desenvolvimento do turismo e a mobilidade populacional têm contribuído para situações de exclusão social que vão além da falta de recursos materiais.

“Hoje não se trata apenas de pessoas sem casa ou sem o pão de cada dia. Há também muitas pessoas que vivem sem esperança e sem sentido para a vida”, afirmou.

Neste contexto, apontou problemas como o consumo de álcool e drogas, bem como a perda de valores sociais, como desafios que exigem uma reflexão sobre novas formas de intervenção.

“A Cáritas precisa de repensar que tipo de apoio pode oferecer para responder a estas novas formas de pobreza que encontramos na sociedade actual”, concluiu.

A Cáritas de Cabo Verde é uma instituição de cariz humanitário, social e religioso, desde 1976 foi criada para acudir todas as pessoas vulneráveis.

Durante esses 50 anos de existência, realizou milhares de acções sociais aos seus benificiários e está presente em todas as frentes de catástrofes naturais, nomeadamente tempestades, erupções vulcânicas e incêndios, desenvolvendo acções para mitigar esses fenómenos que têm assolado Cabo Verde.

A Cáritas cabo-verdiana pertence a uma rede com mais de 160 Países no Mundo e em Cabo Verde está presente nas 43 paróquias do País.

LC/HF

Inforpress/Fim

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