
Cidade da Praia, 03 Out (Inforpress) – O ministro dos Negócios Estrangeiros considerou hoje que a participação de Cabo Verde na 81.ª Assembleia Geral das Nações Unidas permitiu reforçar a projecção internacional do país, sobretudo nas áreas climáticas e do multilateralismo.
Em conferência de imprensa, no balanço da participação cabo-verdiana na semana de alto nível da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, o também titular da pasta da Defesa Nacional, Manuel da Rosa, destacou a intensidade da agenda da delegação nacional e os resultados alcançados em diferentes frentes da diplomacia cabo-verdiana.
Manuel da Rosa vincou a adopção, por consenso, da declaração sobre a subida do nível do mar, processo facilitado por Cabo Verde e pela Austrália.
Segundo o ministro, a declaração constitui um contributo para o debate internacional sobre os efeitos da subida do nível do mar, em particular para os pequenos Estados insulares em desenvolvimento, mais expostos aos impactos nas zonas costeiras, nos recursos hídricos e nas condições de vida das populações.
A defesa da reforma da arquitectura financeira internacional e do reconhecimento do Índice de vulnerabilidade multidimensional esteve também entre as prioridades da diplomacia cabo-verdiana, tendo em conta a exposição dos pequenos Estados insulares aos choques climáticos.
No domínio da segurança e da cooperação no Atlântico, Cabo Verde participou em reuniões sobre segurança marítima, economia azul, conectividade marítima e energias renováveis, bem como na reunião ministerial do Processo dos Estados Africanos do Atlântico.
Na sequência desta participação, Cabo Verde foi incumbido de organizar, em 2027, uma reunião temática de alto nível sobre os desafios da segurança no espaço atlântico.
A agenda incluiu ainda um encontro informal dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), no qual foram concertadas posições sobre a situação na Guiné-Bissau em que foi recomendada uma missão de bons ofícios de alto nível para apoiar a estabilização política e o retorno à normalidade democrática naquele país.
No plano bilateral, a delegação cabo-verdiana realizou encontros com representantes de vários países e assinou acordos, entre os quais um acordo de isenção recíproca de vistos com a Sérvia.
“Foi a primeira vez que eu vi uma tão intensa missão numa Assembleia Geral das Nações Unidas”, afirmou Manuel da Rosa, ao destacar o número de encontros e intervenções realizados pela delegação cabo-verdiana.
O ministro anunciou ainda que os próximos passos passam pelo reforço da missão permanente de Cabo Verde junto das Nações Unidas e pela preparação da presidência da Aliança dos Pequenos Estados Insulares (AOSIS), que Cabo Verde deverá assumir nos próximos dois anos.
Segundo explicou, a presidência terá como uma das principais prioridades a defesa dos interesses dos pequenos Estados insulares e dos países costeiros vulneráveis face às alterações climáticas.
“A nossa principal ofensiva será precisamente nas mudanças climáticas que afetam a generalidade de todo o mundo”, afirmou.
Manuel da Rosa considerou que a presidência da AOSIS constitui uma oportunidade para reforçar a presença diplomática de Cabo Verde nos principais debates internacionais e assegurou que a função não deverá representar encargos financeiros significativos para o Estado, uma vez que a organização dispõe de um fundo para apoiar as suas actividades.
O governante avançou ainda que 2027 será marcado por uma intensa programação no âmbito da AOSIS, estando igualmente previsto que Cabo Verde acolha, em 2034, a quinta Conferência da organização.
KA/AA
Inforpress/Fim
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