
Cidade da Praia, 26 Mar (Inforpress) – No marco do Dia Mundial de Conscientização da Epilepsia, Cabo Verde realizou hoje o seu segundo workshop dedicado ao tema, reforçando a mensagem de que os pacientes não estão sozinhos e que existe tratamento eficaz.
O evento, que teve lugar na Sala de Telemedicina do Hospital Universitário Agostinho Neto (HUAN) sob o lema “Mostrar que as pessoas com epilepsia não estão sozinhas”, abordou temas complexos e pouco discutidos, como a morte súbita inexplicável (SUDEP) e o manejo clínico em diferentes fases da vida, como a infância e a idade fértil.
Em declarações à imprensa, a neurologista e responsável pelo laboratório de electroencefalograma, Antónia Fortes, destacou que, embora o país tenha registado ganhos significativos — como a aquisição do electroencefalógrafo pela UNICEF em 2017 e a criação de consultas mensais especializadas no HUAN em 2019 —, os desafios persistem.
“Neste encontro, vamos quebrar tabus. Falaremos sobre a SUDEP, sobre o diagnóstico correcto entre crises focais e generalizadas e sobre o estado de mal epiléptico. Mas, acima de tudo, falaremos do futuro”, afirmou, avançando que se estima a existência de cinco mil pessoas com epilepsia no país, sendo que 80 por cento (%) dos casos são controláveis com o tratamento adequado.
Questionada sobre o maior desafio actual, a especialista apontou a “literacia em saúde” para combater a visão de que a epilepsia é algo “sobrenatural” e garantir a adesão ao tratamento, evitando sequelas graves, como o atraso no desenvolvimento infantil decorrente de crises não tratadas.
“Ainda há crianças que ficam em casa sem medicação porque a família acredita em causas sobrenaturais. Há adultos a perderem empregos por puro preconceito. Por isso, propomos hoje a criação da Liga Contra a Epilepsia em Cabo Verde”, sublinhou, reforçando a necessidade de uma rede que envolva os sectores da saúde, educação e parceiros internacionais para possibilitar, inclusive, tratamentos cirúrgicos.
Neste âmbito, a especialista apelou à união de todos para aumentar a literacia em saúde nas escolas e comunidades, enfatizando que o grande objectivo é a formalização da Liga.
A epilepsia é uma doença crónica caracterizada por crises convulsivas não provocadas, nas quais o paciente pode manifestar perda de consciência e movimentos involuntários dos membros.
O Dia Mundial da Conscientização da Epilepsia, ou Purple Day (Dia Roxo), é celebrado a 26 de Março para educar a população, reduzir o estigma e apoiar os mais de 50 milhões de pessoas afectadas pela condição em todo o mundo.
PC/HF
Inforpress/Fim
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