Boa Vista: Marcha em Sal Rei alerta para a "cultura do silêncio" e apela à denúncia de abusos contra menores

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Boa Vista: Marcha em Sal Rei alerta para a "cultura do silêncio" e apela à denúncia de abusos contra menores
21/03/26 - 04:28 pm

Sal Rei, 21 Mar (Inforpress) – A Igreja Adventista da Boa Vista realizou este sábado, em Sal Rei, uma marcha de sensibilização para quebrar a "cultura do silêncio" e incentivar a denúncia de casos de abuso e exploração sexual de menores na ilha.

O evento, que assinalou o Dia Mundial do Jovem Adventista e o Dia Global das Crianças, percorreu as ruas de Sal Rei sob o lema “Protege as crianças, empodera os jovens!”, contando com o apoio do ICCA, da Câmara Municipal da Boa Vista e das autoridades judiciais e de segurança.

Em declarações à Inforpress, a responsável da Direcção de Jovens da Igreja Adventista, Elsa Vieira, frisou que a acção visa despertar as famílias para a realidade local, destacando que a maioria dos abusos ocorre no seio familiar.

"Muitas crianças sofrem abusos em casa e não são acreditadas pelas próprias famílias. Queremos quebrar esse silêncio, pois os dados indicam que o agressor é frequentemente um membro do círculo próximo, como um vizinho ou um familiar", afirmou Elsa Vieira.

Aquela responsável apontou ainda a vulnerabilidade específica na ilha da Boa Vista, defendendo que o contexto do mercado de trabalho ligado ao turismo deixa muitas crianças sozinhas ou na rua até ao regresso dos pais, o que exige uma vigilância comunitária redobrada.

Rosinda Santos, que esteve presente no acto e deu o seu testemunho, classificou a mobilização como um "despertar de consciência social e moral". No seu depoimento, declarou que a protecção da criança deve ser uma missão colectiva que ultrapassa crenças religiosas ou nacionalidades.

"A arma mais poderosa do agressor é o silêncio. Uma voz chama a outra: o silêncio protege o agressor, enquanto a voz protege a criança", reiterou Rosinda Santos, incentivando a população a utilizar a linha de denúncias anónimas da Polícia Judiciária, para interromper ciclos de violência.

A iniciativa também contou com a participação de residentes de outros povoados da ilha e terminou com um apelo ao compromisso dos pais e cuidadores, destacando que a presença e o diálogo são ferramentas essenciais para garantir um desenvolvimento saudável da juventude boavistense.

MGL/ZS                                                                           

Inforpress/Fim

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