
Sal-Rei, 13 Jul (Inforpress) – Agricultores da Zona Norte da Boa Vista apelam por “uma intervenção urgente” do Governo e autarquia para salvar a novo ano agrícola, que se encontra ameaçada devido aos poços e fontes que continuam entupidos devido às chuvas passadas.
Em declarações à imprensa, o vice-presidente da Associação de Agricultores da Zona Norte, Emanuele dos Santos, afirmou que a classe se encontra “num cenário de desalento" e “de braços cruzados” perante a falta de meios financeiros da organização e ausência de maquinaria para a limpeza dos poços.
Segundo a mesma fonte, o plano para esta temporada era aluguer uma máquina para limpar os poços e as parcelas agrícolas afetadas pelas enxurradas, já que “muitos agricultores estão parados” por falta de água.
Alguns agricultores que tinham alguma reserva disponibilizaram uma verba de cerca de 600 mil escudos para garantir o transporte do equipamento via camião, o processo está paralisado e sem respostas por parte das entidades e empresas envolvidas.
O mesmo indicou que tentaram via Câmara Municipal da Boa Vista e Governo, mas até ainda não tiveram apoio nesse sentido.
Inclusive, contou, não sabem nada sobre a situação do processo de dessalinização, que só foi inaugurado, mas a água não chegou.
"Não temos uma informação clara dessa situação. Vimos o lançamento e acreditamos nessa água. Todos nós esperávamos por esta água com muita ansiedade, porque era uma grande valia para nós, mas ninguém vem dar uma satisfação", lamentou Emanuele dos Santos, frisando também a falta de informação em torno do projeto de dessalinização de água para a agricultura na ilha.
O impacto deste bloqueio é partilhado pelo agricultor Adradino Andrade, que trabalha na região.
Conforme explicou, embora os produtores tenham os sistemas de rega gota-a-gota prontos no terreno, os mesmos são inúteis porque os poços continuam cheios de lama e lixo.
"Se a máquina não vem para limpar, nós ficamos à espera e não colhemos nada. Corremos o risco de ver a chuva chegar e não poder fazer nada para reter a água", alertou o produtor, adiantando que a alternativa tem sido recorrer a "remendos improvisados nos motores” para extrair “quantidades mínimas e sujas”.
Diante “deste aperto do sector”, a associação adverte para “um grave fenómeno social” na Zona Norte, a falta de apoios está a empurrar os agricultores locais para fora das hortas em direção ao emprego no sector do turismo e da hotelaria, deixando a agricultura da região dependente quase em exclusivo de mão de obra imigrante, sobretudo da Guiné-Bissau.
"A nossa ilha já deu provas de que é agrícola, mas sem condições não podemos ir para a frente. Esperamos, do fundo da alma, que o Governo e a câmara vejam para esta situação e apoiem as pessoas antes que as terras fiquem totalmente abandonadas", apelou o dirigente associativo Emanuele dos Santos.
MGL/AA
Inforpress/Fim
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