Boa Vista acolhe em 2027 projecto-piloto contra o cancro do colo do útero (c/áudio)

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Boa Vista acolhe em 2027 projecto-piloto contra o cancro do colo do útero (c/áudio)
21/10/26 - 02:15 pm

Cidade da Praia, 21 Out (Inforpress) - Cabo Verde vai arrancar em 2027 com um projecto-piloto na ilha da Boa Vista destinado a reorganizar e modernizar o sistema de rastreio e combate ao cancro do colo do útero, anunciou hoje a coordenadora do programa Carla Barbosa.

A iniciativa, que conta com a parceria técnica da Organização Mundial da Saúde (OMS) e o apoio financeiro da Cooperação Espanhola, pretende criar um modelo estruturado que possa ser posteriormente expandido a todas as ilhas do arquipélago.

Em declarações à imprensa, a médica oncologista avançou que o cancro do colo do útero continua a ser um grave problema de saúde pública no país, sendo o segundo mais frequente entre as mulheres cabo-verdianas e a quarta causa de mortalidade feminina, de acordo com o relatório estatístico de 2022.

“Embora a taxa de incidência em 2024 (15,8 casos por 100 mil mulheres) seja uma das mais baixas dos PALOP, o país registou uma redução de cerca de 60% na mortalidade nos últimos anos”, disse, salientando que o objetivo final do projecto é atingir a meta da OMS de menos de quatro casos por 100 mil mulheres ao ano.

Ainda, segundo Carla Barbosa, o diferencial deste projecto é não se limitar à realização de exames isolados, mas sim organizar todo o circuito da paciente no sistema de saúde, desde o momento que é convidada, rastreada, até ao tratamento e acompanhamento de eventuais lesões.

O programa adota as metas globais de eliminação da OMS em que o país deve ter 90% das raparigas vacinadas contra o HPV até aos 15 anos, 70% das mulheres rastreadas com testes de alta precisão aos 35 e 45 anos, e 90% das mulheres com alterações identificadas devidamente tratadas.

A ilha da Boa Vista foi a escolhida para arrancar com o projecto-piloto devido às suas particularidades e autonomia médica, dispondo de cuidados primários e da presença fixa de um ginecologista, autonomia de diagnóstico e redução de evacuações já que a mulheres com lesões pré-malignas poderão ser tratadas diretamente na ilha, evitando deslocações internas.

O projecto abrange uma população-alvo entre 1.500 a 1.600 mulheres até aos 49 anos de idade, estimando-se cobrir pelo menos 30% deste grupo logo na fase de arranque.

A longo prazo, com o reforço da literacia em saúde e o forte compromisso da população e das autoridades, Cabo Verde ambiciona construir o caminho para a eliminação total desta doença prevenível, com menos de 4 casos de cancro por 100 mil mulheres por ano.

A taxa de incidência neste momento em Cabo Verde é das mais baixas nos PALOP, mas a taxa de incidência de 2024 é de 15,8 o que indica que estamos longe do linear que padroniza taxa de menos de quatro casos por 100 mil mulheres.

PC/CP

Inforpress/Fim

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