
Cidade da Praia, 27 de Out (Inforpress) – A prevenção e o diagnóstico precoce continuam a ser as ferramentas mais eficazes no combate ao cancro da mama, segundo alertas partilhados hoje pelo vice-presidente da Associação de Luta Contra o Cancro, José da Rosa.
A organização, que tem intensificado a sua actuação através de palestras, realizou hoje uma acção de sensibilização sobre o tema “Cancro da Mama - Prevenção, Diagnóstico Precoce e Rastreio” no Centro Multiuso da Cruz Vermelha de Cabo Verde, na Fazenda.
Segundo José da Rosa, o cancro da mama afecta maioritariamente as mulheres (99% dos casos contra apenas 1% nos homens).
A idade e a genética desempenham papéis cruciais, com a incidência a aumentar a partir dos 45 anos, mas o surgimento pode ser mais precoce em mulheres com histórico familiar da doença devido a componentes genéticos.
Para além destes factores, os problemas hormonais foram apontados como factores de risco, como a menstruação precoce (antes dos 12 anos) ou a menopausa tardia (após os 55 anos), bem como o estilo de vida associado ao consumo de álcool, ao tabagismo e à má alimentação.
Para contrariar estes riscos, o exercício físico regular (como andar, correr, dançar, saltar ou nadar) é apontado como um dos pilares mais acessíveis e cruciais para a prevenção.
A identificação de alterações na mama numa fase inicial aumenta drasticamente as hipóteses de sucesso no tratamento, por isso, a associação recomenda passos essenciais para a detecção, nomeadamente, o auto-exame e a palpação, que devem ser realizados uma vez por mês por todas as mulheres a partir dos 20 anos.
Já a realização da mamografia é aconselhada a cada dois anos a partir dos 45 anos, sendo capaz de detectar o cancro antes de surgir qualquer sintoma visível ou palpável.
“A situação ganhou novos contornos quando, em 2004, cerca de 77 ou 80 casos apareceram e umas 50 pessoas faleceram. Isso é um sinal muito preocupante, por isso devemos detectar mais cedo o cancro da mama. Detectar mais cedo é sinal de esperança de cura”, disse José da Rosa.
O cancro da mama continua a ser um desafio crítico de saúde pública em Cabo Verde, sendo actualmente o segundo tipo de cancro mais frequente no país e o primeiro a afectar as mulheres, registando-se, em média, 60 a 70 novos casos por ano no arquipélago.
A ilha de Santiago é a que concentra o maior número de diagnósticos registados, mas a realidade clínica do país enfrenta um cenário desafiador com o diagnóstico tardio.
PC/HF
Inforpress/Fim
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