
Cidade da Praia, 14 Mai (Inforpress) – A Associação dos Agentes Prisionais pediu hoje a demissão do director-geral dos Serviços Prisionais, responsabilizando-o pela insegurança nas cadeias do país, na sequência da fuga de dois reclusos da Cadeia Central da Praia.
Em declarações à imprensa, durante a greve de dois dias iniciada hoje em frente à Cadeia Central da Praia, o presidente da associação, Claudino Semedo, afirmou que os agentes vinham alertando há vários meses para a degradação das condições de segurança e para a falta de efectivos nas cadeias nacionais, sobretudo na Cadeia Central da Praia.
Segundo o dirigente associativo, a fuga dos dois reclusos expôs fragilidades antigas do sistema prisional e demonstrou a incapacidade da direcção-geral em responder aos problemas enfrentados pelos agentes prisionais.
“O senhor director-geral dos Serviços Prisionais deve pedir demissão porque nós já o tínhamos alertado várias vezes sobre a questão da insegurança na cadeia”, declarou.
Claudino Semedo afirmou que os agentes trabalham sob forte pressão, com excesso de carga horária, elevado número de visitas e ausência de rendição nos postos de serviço, devido à insuficiência de efectivos.
“As condições de trabalho são péssimas. Há agentes que trabalham até às seis, sete ou oito horas da noite porque não há ninguém para render. A criminalidade na Praia tem vindo a aumentar, mas nós estamos escravizados numa cadeia que se diz humanizada. Não há agentes suficientes para dar resposta”, apontou.
De acordo com a associação, a Cadeia Central da Praia enfrenta actualmente uma das situações mais delicadas do país em matéria de segurança e gestão de pessoal, dificultando os serviços de escolta, vigilância e controlo interno.
Claudino Semedo questionou ainda as circunstâncias em que um posto de serviço terá ficado descoberto no dia da fuga dos reclusos e defendeu que a direcção-geral deve esclarecer o sucedido.
“O director-geral deve responder porque é que o posto de serviço ficou descoberto no dia da fuga”, sublinhou.
Relativamente às reivindicações laborais, o responsável afirmou que as mesmas são antigas e legítimas, sustentando que a greve representa a luta pelos direitos da classe e por melhores condições de trabalho.
“A nossa reivindicação é justa porque nós nos enquadramos no GEF5 e o Ministério da Justiça quer enquadrar-nos no GEF4, o que significa que o nosso salário irá baixar e isso é injusto para a nossa classe”, disse.
O dirigente acrescentou que os agentes prisionais estão conscientes de possíveis represálias após a greve, mas garantiu que a classe continuará mobilizada na defesa das suas reivindicações.
O director-geral dos Serviços Prisionais admitiu, na terça-feira, 13, que a fuga de dois reclusos do estabelecimento prisional da Praia, em Abril, resultou de uma “falha de segurança”, assegurando que o caso está a ser analisado para evitar novas ocorrências.
Segundo avançou, o processo de averiguação decorre sob responsabilidade de uma entidade externa, com o objectivo de garantir transparência na análise dos factos e identificar eventuais vulnerabilidades no sistema prisional.
Na ocasião, sublinhou ainda que, concluído o processo, o Ministério da Justiça irá avaliar as recomendações resultantes do inquérito e decidir sobre eventuais medidas a adoptar para evitar situações semelhantes.
CM/JMV
InForpress/fim
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