
Bruxelas, 11 Mai (Inforpress) – Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE) discutem hoje a imposição de sanções a Israel pela expansão de colonatos na Cisjordânia e deverão decidir adotar medidas restritivas contra a Rússia pelo sequestro de crianças ucranianas.
A reunião vai começar às 09:45 em Bruxelas (06:45 de Cabo Verde) e terá três pontos na agenda: a situação no Médio Oriente, a guerra na Ucrânia e a relação com os países dos Balcãs Ocidentais. Portugal está representado pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.
No que se refere ao Médio Oriente, fontes europeias indicaram que os ministros dos Negócios Estrangeiros dos 27 estão “cada vez mais perto” de aprovar novas sanções contra Israel pela expansão de colonatos na Cisjordânia.
Essas sanções, que requerem a aprovação por unanimidade, têm vindo a ser bloqueadas unicamente pelo Governo da Hungria, mas, após a derrota de Viktor Orbán nas eleições legislativas de 12 de abril, há agora a expectativa de que os 27 consigam finalmente chegar a um consenso.
“Estamos próximos da unanimidade. Não se sabe se a lista de sanções vai incluir apenas colonos violentos, também tem havido conversas sobre ministros e operacionais do [grupo extremista palestiniano] Hamas. Vai ser provavelmente uma mistura, mas vamos ver qual é a decisão”, referiu um alto responsável europeu.
Os ministros vão também discutir uma eventual restrição do comércio com os colonatos da Cisjordânia, designadamente decidir se tencionam banir totalmente as trocas comerciais ou impor apenas quotas ou tarifas.
No entanto, neste ponto preciso, não é expectável que os governantes tomem qualquer decisão concreta hoje, sendo o objetivo da discussão tentar chegar a um “acordo político” sobre como se deve proceder.
Israel ocupa a Cisjordânia desde 1967, na sequência da Guerra dos Seis Dias, mantendo também a anexação de Jerusalém Oriental, não reconhecidas pela comunidade internacional.
Lado a lado com cerca de três milhões de palestinianos, mais de 500 mil israelitas vivem atualmente em colonatos na Cisjordânia, considerados ilegais pelas Nações Unidas à luz do direito internacional.
Fora a situação na Palestina, os ministros dos Negócios Estrangeiros (MNE) vão também discutir a guerra no Irão e, em particular, a disponibilidade dos Estados-membros para participarem em operações no estreito de Ormuz caso Teerão chegue a um acordo com Washington.
O objevtivo dos ministros, contudo, é também abordarem “as dimensões securitárias mais vastas” do conflito no Médio Oriente e, designadamente, tentarem “contribuir para a conversa” que vier a ocorrer nas negociações no que se refere às limitações do programa nuclear e de mísseis balísticos do Irão e no seu apoio a movimentos armados no Médio Oriente.
Os chefes das diplomacias dos 27 da UE vão também discutir, como já é habitual, a guerra na Ucrânia, com a particularidade de que hoje se realiza também em Bruxelas uma reunião da Coligação Internacional para o Regresso das Crianças Ucranianas.
Por esse motivo, tanto o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, como a chefe da diplomacia do Canadá, Anita Anand, estarão presencialmente em Bruxelas e irão participar em partes da reunião do Conselho dos Negócios Estrangeiros.
Simbolicamente, é expectável que os ministros decidam impor sanções à Rússia pelo sequestro de crianças ucranianas, mas a discussão sobre o conflito vai também incluir uma análise sobre como reforçar as garantias de segurança a Kiev caso se chegue a um acordo de paz.
Durante a reunião de hoje, os ministros vão ainda discutir a relação com os países dos Balcãs Ocidentais, que incluirá um pequeno-almoço de trabalho com os chefes das diplomacias da região.
Neste ponto, a discussão será sobretudo sobre os processos de adesão destes países à UE e designadamente procurar garantir que contribuem para as missões de segurança e de Defesa do bloco.
Após a reunião, hoje, dos chefes das diplomacias da UE, os ministros da Defesa vão também reunir-se em Bruxelas na terça-feira, igualmente com três pontos na agenda: guerra na Ucrânia, situação no Médio Oriente e a prontidão europeia no domínio da Defesa.
Entre os principais pontos que vão ser discutidos por estes governantes, está o eventual reforço da missão naval da UE “Aspides”, que escolta navios mercantes no Mar Vermelho, e a necessidade de se reforçar a cooperação industrial em Defesa com a Ucrânia.
Lusa/Fim
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