
Cidade da Praia, 04 Mai – O presidente da Associação Cabo-verdiana de Luta Contra o Lixo Marinho (Aclim) alertou para a fraca presença de medidas ambientais nas plataformas eleitorais para 2026, defendendo mais compromisso com o oceano.
Euclides dos Santos, que falava à Inforpress, considerou urgente a inclusão de propostas ambientais mais consistentes nos programas eleitorais, sublinhando que as actuais abordagens são ainda “insuficientes” no que diz respeito à preservação dos oceanos.
“O que observamos é que há muito pouco relativamente à protecção do nosso bem maior, que é o oceano”, afirmou.
O responsável apontou fragilidades nas propostas em análise, sobretudo na definição de medidas concretas para a redução do lixo marinho e para a gestão de resíduos, num contexto em que grande parte dos produtos consumidos no país é importada e acompanhada por embalagens.
Segundo disse, esta realidade exige mudanças nos padrões de consumo, maior responsabilização colectiva e o reforço de políticas públicas nesta área.
A Aclim defende ainda que os partidos apresentem propostas claras para reduzir o uso de plástico e melhorar a gestão de resíduos, alertando também para o impacto das campanhas eleitorais na produção de lixo nas comunidades, posteriormente arrastado para o mar.
Euclides dos Santos destacou igualmente a necessidade de reforçar a educação ambiental, através da promoção da literacia oceânica em escolas, bairros e instituições, como forma de aumentar a consciência sobre a relação entre a sociedade e o oceano.
Quanto ao acompanhamento das promessas políticas, a associação afirmou que continuará a desenvolver acções de sensibilização e denúncia, com enfoque pedagógico, para manter o tema na agenda pública.
A Aclim alertou ainda para as consequências da inação, referindo projecções que apontam para um aumento significativo dos resíduos no oceano nas próximas décadas, caso não sejam adoptadas medidas estruturais.
Para o futuro, Euclides dos Santos apontou dois cenários possíveis: um de melhoria ambiental, com impacto positivo no turismo e na qualidade de vida, e outro de degradação do ecossistema marinho, caso não haja intervenção eficaz.
KF/SR/JMV
Inforpress/fim
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