
Cidade da Praia, 26 Abr (Inforpress) – A primeira missão cultural marroquina a Cabo Verde, realizada de 13 a 20 de Abril, reforçou a importância do reconhecimento e da valorização do património judaico no arquipélago, mobilizando descendentes e especialistas em torno desta herança histórica.
Durante a visita, de acordo com a nota de imprensa, o representante da UNESCO em Cabo Verde, José Évora, defendeu um maior reconhecimento nacional e internacional do património judaico cabo-verdiano.
A nota informa que esta posição foi igualmente partilhada pelos membros da missão, que manifestaram “profunda impressão” perante os cemitérios judaicos e outros vestígios deixados por judeus oriundos de cidades como Tânger, Tetuão, Rabat e Mogador (Essaouira).
Por seu turno, o ministro dos Negócios Estrangeiros, José Luís Livramento, que recebeu os participantes, destacou o contributo dos judeus marroquinos e dos seus descendentes para o desenvolvimento económico e social de Cabo Verde.
A missão integrou académicos, investigadores e um artista marroquino, que interagiram com famílias descendentes, recolhendo testemunhos e memórias sobre os antepassados que se fixaram no arquipélago no século XIX.
A mesma fonte salienta que um dos momentos simbólicos ocorreu nos cemitérios judaicos visitados, onde foram realizadas orações tradicionais em homenagem aos falecidos, referindo que estes espaços foram recentemente restaurados, permitindo agora a sua abertura ao público, incluindo turistas internacionais.
Na Ribeira Grande de Santo Antão, um simpósio sobre o património judaico-marroquino reuniu professores, estudantes e membros da comunidade, promovendo o debate e a partilha de conhecimentos sobre os laços históricos entre Cabo Verde e Marrocos.
A missão foi organizada pelo Cape Verde Jewish Heritage Project (CVJHP), organização sem fins lucrativos sediada em Washington, que tem vindo a trabalhar na preservação e divulgação do legado dos judeus marroquinos e gibraltinos no país desde o século XIX.
Além da reabilitação de cemitérios, o projeto tem promovido investigação histórica e intercâmbios culturais, visando fortalecer a valorização deste património e criar pontes duradouras entre Cabo Verde e Marrocos.
CM/JMV
Inforpress/fim
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