Santo Antão: Enfermeira aposentada denuncia Ministério da Saúde por falta de pagamento de subsídio de exclusividade

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Santo Antão: Enfermeira aposentada denuncia Ministério da Saúde por falta de pagamento de subsídio de exclusividade
16/04/26 - 01:52 pm

 

Ribeira Grande, 16 Abr (Inforpress) – A enfermeira aposentada Maria Cruz Santos Monteiro denunciou hoje que o Ministério da Saúde não lhe pagou o subsídio de exclusividade devido desde 2020, apesar de ter exercido funções de chefia no Hospital Regional João Morais.

Em declarações à Inforpress, Maria Cruz Santos Monteiro afirmou que encerrou a sua carreira de mais de três décadas ao serviço na Saúde Pública marcada por “um profundo sentimento de injustiça e desvalorização”.

Tudo começou em Março de 2020 quando foi nomeada enfermeira-superintendente, acumulando, em simultâneo, as funções de segunda vogal da Comissão Instaladora do Conselho de Administração do Hospital Regional João Morais.

Segundo explicou, estas funções conferiam direito a um subsídio de exclusividade, cuja responsabilidade de pagamento é do Ministério da Saúde, mas que nunca lhe foi atribuída.

“Todos os enfermeiros-superintendentes dos hospitais regionais e centrais recebem esse subsídio e, até hoje, nunca o recebi”, afirmou.

Durante o período em que exerceu funções, a enfermeira disse ter insistido junto das entidades competentes para ver a situação resolvida.

“Enviei vários emails e apresentei requerimentos ao ministro da Saúde, à ministra da Saúde e ao director nacional de Saúde, sempre com conhecimento do presidente do conselho de administração do hospital e da região sanitária, mas nunca obtive qualquer resposta”, relatou.

A mesma fonte referiu que a falta de resposta levantou dúvidas quanto ao reconhecimento institucional do seu trabalho.

“Assinei contas de gerência, planos de actividades e outros documentos oficiais. Pergunto, será que a minha assinatura não tinha validade”, questionou, acrescentando que todos os restantes membros com funções semelhantes receberam o subsídio.

Para Maria Cruz Monteiro, a questão ultrapassa o plano financeiro e atinge a sua dignidade profissional.

“Senti que o Ministério da Saúde me desvalorizou e desvalorizou o meu trabalho. Tudo o que fiz enquanto enfermeira e superintendente não foi devidamente reconhecido”, afirmou.

Reformada desde Novembro de 2024, garantiu que continua a procurar uma resposta junto do Ministério da Saúde.

“Tenho enviado sucessivos emails e requerimentos, com conhecimento de várias entidades, mas continuo sem qualquer esclarecimento”, referiu.

Segundo a mesma fonte, o impacto da situação também se tem refletido a nível pessoal.

“Sinto-me profundamente desgastada. Já me sentia assim enquanto estava em funções e agora sinto-me ainda pior. Parece que deixei de ter valor. É o próprio sistema que acaba por levar as pessoas ao desânimo e, por vezes, à depressão”, desabafou.

Perante o silêncio das autoridades, admitiu recorrer a outras vias.

“Se continuar sem resposta, irei recorrer a meios legais para fazer valer os meus direitos. Apenas quero receber o que me é devido desde 2020. Trabalhei com dedicação e profissionalismo para, no fim, sentir este desrespeito. Se o cargo não existia, por que fui nomeada e por que foi publicada a nomeação no Boletim Oficial”, questionou.

A Inforpress tentou contactar o Ministério da Saúde para obter um posicionamento, mas, até ao fecho desta notícia, não foi possível obter qualquer resposta.

LFS/AA

Inforpress/Fim

 

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