Polícia Judiciária simula cena de crime para reforçar cadeia de custódia e articulação institucional

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Polícia Judiciária simula cena de crime para reforçar cadeia de custódia e articulação institucional
16/04/26 - 01:40 pm

 

Cidade da Praia, 16 Abr (Inforpress) - A Polícia Judiciária promoveu hoje, na cidade da Praia, uma simulação de operação em cena de crime, no âmbito da formação sobre cadeia de custódia, visando testar procedimentos, reforçar articulação institucional e assegurar a integridade da prova judicial.

A iniciativa, promovida pela Direção Nacional da Polícia Judiciária, através do seu Centro de Formação, juntou especialistas do Laboratório de Polícia Científica, da Polícia Técnica, da Lofoscopia e da perícia informática, bem como técnicos do Instituto de Medicina Legal e Ciências Forenses, além de representantes do Ministério Público e de outras forças e serviços envolvidos em cenários criminais.

Em declarações à imprensa, um dos formandos participantes reforçou que o exercício representa “uma oportunidade para pôr em prática os conceitos teóricos adquiridos durante a formação”, permitindo testar, em contexto simulado, a apropriação de procedimentos técnicos por parte de investigadores, técnicos de saúde, bombeiros, agentes da Polícia Nacional, forças armadas e magistrados.

Segundo o mesmo, o maior desafio num cenário de crime, sobretudo quando se trata de autor desconhecido, reside na identificação, fixação, recolha e preservação adequada dos vestígios, de modo a garantir que a prova mantenha a sua integridade até ser apreciada em julgamento.

“Se não houver recolha correta de vestígios, não há prova útil e, consequentemente, não há verdade material”, sublinhou.

O participante reconheceu ainda que num país com limitações de meios a crescente sofisticação da criminalidade impõe a necessidade de constante actualização técnica e reforço de recursos, não obstante os avanços registados nos últimos anos no sector da investigação criminal.

Questionado sobre a relação com a comunicação social em cenários de crime, defendeu que a partilha de informação é fundamental, mas deve ser equilibrada com a salvaguarda da integridade dos vestígios e o cumprimento do segredo de justiça.

“A imprensa exerce um direito constitucional à informação, mas este deve estar em equilíbrio com o direito à realização da justiça”, afirmou, acrescentando que a divulgação prematura de dados pode comprometer diligências em curso.

Por sua vez, o director do Centro de Formação da Polícia Judiciária, Agostinho Semedo, explicou que o principal objectivo do exercício é demonstrar, na prática, o funcionamento da cadeia de custódia de provas, desde o reconhecimento e isolamento dos vestígios no local, passando pela sua descrição, recolha, acondicionamento e transporte, até ao processamento laboratorial e elaboração do respetivo relatório pericial.

Aquele responsável frisou ainda que o exercício foi concebido para ser o mais realista possível, começando pela intervenção dos bombeiros, cuja prioridade é a salvaguarda de vidas, antes do desencadeamento das restantes diligências investigatórias.

A formação, com uma carga horária total de 30 horas, encerra amanhã, dia 17, com a cerimónia prevista para assinalar o fim das actividades formativas.

KA/AA

Inforpress/Fim

 

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