
Santa Maria, Ilha do Sal, 26 Mar (Inforpress) – O segundo dia da feira de artesanato e design Urdi, que decorre no Sal, foi marcado por uma masterclass do Instituto de Gestão da Qualidade e Propriedade Intelectual (IGPQI) focada na valorização e proteção jurídica das criações nacionais.
Em declarações à imprensa, o técnico da Direção de Serviços de Propriedade Intelectual do IGPQI Nataniel Fernandes sublinhou que num mundo globalizado a proteção de marcas, desenhos e denominações de origem é fundamental para salvaguardar a autoria e garantir que o produto cabo-verdiano chegue ao estrangeiro com valor acrescentado.
“A importância é vasta. Através da criação de uma marca ou de uma denominação de origem, valorizamos o que é feito em Cabo Verde, garantindo que a autoria do criador esteja salvaguardada”, explicou o técnico, acrescentando que estas ferramentas trazem benefícios não só para o país, mas especificamente para as comunidades onde as indicações geográficas são protegidas.
Questionado sobre a padronização dos produtos, Nataniel Fernandes preferiu focar no processo de sensibilização em curso.
“É preciso trabalhar a consciencialização. A indicação geográfica e a marca são ativos que têm de ser desenvolvidos para criar valor numa cadeia que beneficie a todos”, afirmou.
O técnico destacou ainda o papel da metrologia no sector, referindo que o uso de instrumentos de medição justo garante uma relação "ganho-ganho" entre quem produz e quem consome, assegurando a qualidade final.
No que toca aos direitos de autor, Fernandes lembrou que a proteção para obras literárias e artísticas, como esculturas e pinturas, é gratuita, visando “massificar a proteção” de todos os artesãos.
Por seu lado, o diretor do Centro Nacional de Arte, Artesanato e Design (CNAD), Artur Marçal, fez um balanço "extremamente positivo" destes primeiros dias de evento em Santa Maria, classificando a abertura como um "sucesso" e uma "aposta ganha".
Para Marçal, o desafio agora é garantir a continuidade da presença do artesanato nacional na ilha mais turística do país.
O diretor do CNAD explicou que a Urdi no Sal persegue dois objetivos principais: visibilidade e comercialização.
“O turismo está cada vez mais associado à autenticidade. Queremos mostrar a nossa genuinidade e, naturalmente, fazer com que os artesãos vendam e estreitem laços para encomendas futuras”, sublinhou.
Artur Marçal notou ainda que, tradicionalmente, o artesanato consumido no Sal provém da costa continental africana, havendo pouca oferta de matriz cabo-verdiana.
"O desafio é fazer com que os operadores turísticos olhem para o produto nacional e que o artesão perceba que há um mercado emergente e disponível para responder à demanda", concluiu.
A feira Urdi prossegue na ilha do Sal até ao próximo sábado, reunindo criadores, especialistas e operadores económicos em torno da valorização do saber-fazer nacional.
NA/AA
Inforpress/Fim
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