
Cidade da Praia, 23 Mar (Inforpress) – A Associação de Famílias e Amigos de Surdos de Cabo Verde iniciou hoje, na ilha de Santiago, o mapeamento da comunidade surda, que decorre até 31, próximo para colmatar a falta de dados e apoiar a inclusão.
Em declarações à Inforpress, a presidente da associação, Ângela Lopes, disse que a iniciativa surge da necessidade de colmatar a ausência de dados concretos sobre o número de pessoas surdas no país, condição que tem dificultado a definição de estratégias eficazes de inclusão.
“O mapeamento, nesta fase, é a nível da ilha de Santiago”, esclareceu, sublinhando que a associação pretende, numa etapa posterior, alargar o processo a todo o território nacional.
De acordo com a responsável, o trabalho decorre em todos os concelhos da ilha e envolve uma abordagem faseada, que inclui contactos institucionais numa primeira etapa, seguidos de visitas directas às famílias.
A mesma fonte explicou que o levantamento permitirá, não só, identificar o número de pessoas surdas, mas também compreender as condições em que vivem, as suas necessidades e as dificuldades, sobretudo ao nível da comunicação.
Ângela Lopes chamou a atenção para situações de sub-registo, nomeadamente entre crianças que não foram contabilizadas no censo de 2020, bem como para casos ainda não identificados pelas estruturas existentes.
“O que nos levou a avançar com este mapeamento foi a falta de conhecimento do número exacto de surdos que existem em Cabo Verde”, frisou, defendendo que só com dados concretos será possível desenvolver políticas públicas mais ajustadas.
O projecto conta, nesta fase, com financiamento da Assembleia Nacional, embora a dirigente reconheça limitações de recursos e tempo, o que poderá condicionar o alcance total da iniciativa.
Ainda assim, afiançou que a associação pretende chegar a todos os concelhos de Santiago, de modo a obter uma base de dados que permita orientar futuras intervenções e expandir o mapeamento para outras ilhas.
Paralelamente, a associação está a promover formações em língua gestual, abertas à comunidade e especificamente destinadas a surdos não alfabetizados.
“Temos, neste momento, uma capacitação em língua gestual nível 1, aberta a toda a comunidade interessada. A partir de 06 de Abril, iniciará uma formação para surdos não alfabetizados, com carga horária de 60 horas”, detalhou.
Esta iniciativa visa assegurar que jovens fora do sistema educativo ou sem acesso à língua gestual possam comunicar-se e integrar-se melhor na sociedade.
A associação envolve também as famílias no processo, por considerá-las o principal núcleo de inclusão da pessoa surda, destacando a necessidade de capacitação, sobretudo, no domínio da língua gestual.
Após a conclusão, os dados recolhidos deverão servir de base para a definição de projectos e políticas públicas voltadas para a inclusão, tanto no seio familiar como na sociedade cabo-verdiana.
KF/SR//HF
Inforpress/Fim
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