
Mindelo, 18 Mar (Inforpress) - São Vicente registou mais 1.514 novos eleitores após as eleições autárquicas, elevando o total para 56.891 inscritos, segundo dados provisórios do recenseamento eleitoral, avançou à Inforpress o presidente da Comissão de Recenseamento Eleitoral.
Humberto Mota, explicou que os números ainda podem sofrer correções, nomeadamente com a eliminação de óbitos e transferências, processo que deve ser concluído até 30 dias antes das eleições.
Segundo a mesma fonte, para as eleições autárquicas estavam inscritos 55.377 eleitores, mas após a abertura do processo de recenseamento eleitoral, inscreveram-se mais 1.514 cidadãos, totalizando agora 56.891 eleitores.
“Tendo em conta este período eleitoral, já esperávamos uma enchente nos dias que antecederam a suspensão do processo. Só para ter uma ideia, no ano de 2025 tivemos apenas 273 inscritos e, neste ano, tivemos 1.241 inscritos”, explicou a mesma fonte para quem o recenseamento quadruplicou em 2026 face ao ano anterior,
Para o presidente da Comissão de Recenseamento Eleitoral de São Vicente, este crescimento do recenseamento em 2026 deve-se ao engajamento da Comissão de Recenseamento Eleitoral (CRE) e principalmente dos próprios partidos políticos, que fizeram uma “comunicação e pressão mais frequentes no terreno”.
Apesar disso, alertou para o desinteresse dos jovens em recensear-se e para o risco de a ilha voltar a perder mandatos no parlamento, como aconteceu em 2021.
“Isso vem acontecendo desde 2010 e está a agravar-se a cada ano, porque antes não perdíamos deputados. Mas, em 2021, São Vicente perdeu um mandato no parlamento por causa do número de eleitores, que não foi suficiente para manter os mandatos ou para ganhar mais um”, relembrou a mesma fonte, alertando que a ilha corre o risco de perder mais mandatos caso a situação se mantenha.
Para contrariar esta situação, Humberto Mota considerou que se devem criar estratégias, como a criação de condições para fazer o recenseamento por via da base de dados do registo civil, para cumprir a parte legal da obrigatoriedade do recenseamento, independentemente das circunstâncias.
Outra ideia, avançou, é obrigar ao recenseamento dos jovens para terem acesso ao Número de Identificação Fiscal (NIF), que hoje em dia é um documento exigido em diversas situações.
Isto porque, sublinhou, somente a sensibilização das pessoas para se recensear não tem surtido o efeito desejado.
Mas Humberto Mota disse que a sua maior preocupação não reside apenas no desinteresse dos jovens pelo recenseamento, mas também na crescente taxa de abstenção que ocorre a cada eleição.
“Somente a afluência ao recenseamento não garante que a taxa de abstenção vai diminuir. A abstenção é outro problema que temos de combater, porque, caso contrário, vamos ter sempre uma abstenção e ela nem sempre traduz a realidade”, referiu.
CD/CP
Inforpress/Fim
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