
Cidade da Praia, 08 Mar (Inforpress) – Entre os desafios da maternidade, a afirmação profissional e a luta diária pela sobrevivência, mulheres cabo-verdianas partilham histórias de coragem, resiliência e determinação que marcam o significado do Dia Internacional da Mulher.
A propósito do Dia Internacional da Mulher, assinalado a 08 de Março, a Inforpress auscultou mulheres de diferentes realidades e percursos de vida, desde a maternidade à segurança pública e ao comércio informal, que partilharam experiências marcadas por desafios, superação e determinação.
Nas suas vozes ecoam histórias de coragem, dedicação e luta diária, que reflectem o papel essencial da mulher na construção da sociedade cabo-verdiana, seja no seio da família, no trabalho ou na comunidade.
A maternidade ainda não chegou plenamente para Elsa Santos, mas a preparação para essa nova etapa já transformou a sua rotina e a forma como encara o futuro.
Grávida do primeiro filho, vive um período que descreve como uma fase de adaptação, expectativa e aprendizagem.
Segundo contou à Inforpress, conciliar a futura maternidade com a vida profissional e pessoal exige uma organização diferente do tempo e uma maior atenção à saúde e ao bem-estar.
“Tenho procurado organizar melhor o meu tempo e as minhas responsabilidades, pensando em como será a minha rotina depois do nascimento do bebé”, afirmou, acrescentando que as mudanças físicas e emocionais próprias da gravidez também fazem parte deste processo de preparação.
Apesar de reconhecer que, em alguns momentos, a conciliação das tarefas diárias com as exigências da gravidez pode ser cansativa, Elsa considera que este é também um período especial, marcado pela expectativa e pela vontade de aprender mais sobre a maternidade.
Na sua perspectiva, o apoio familiar é um dos factores mais importantes para ajudar mães de primeira viagem a adaptarem-se à nova realidade.
“O apoio da família e do companheiro é essencial, porque ajuda a mãe a sentir-se mais segura e menos sobrecarregada”, referiu.
No contexto do Dia Internacional da Mulher, deixa uma mensagem de encorajamento para outras mulheres que vivem a maternidade pela primeira vez.
“Cada experiência de maternidade é única e não existe uma forma perfeita de ser mãe. É importante confiar em si mesma e ter paciência com o próprio processo”, afirmou.
Se para algumas mulheres o desafio está na maternidade, para outras ele surge na afirmação profissional em áreas historicamente dominadas por homens.
É o caso de Diana Santos, agente da Polícia Nacional, que desde pequena alimenta o sonho de seguir carreira na área da segurança.
Segundo contou, sempre se sentiu motivada por uma profissão que exige coragem, disciplina e sentido de responsabilidade.
Ao longo da carreira, no entanto, enfrentou desafios relacionados com a percepção que ainda existe sobre o papel da mulher em cargos de autoridade.
“Muitas vezes pensam que quando uma mulher ocupa um cargo acima quer mandar”, explicou.
No entanto, Santos esclarece que a questão não está em impor autoridade, mas sim em exigir respeito e cumprir as responsabilidades que o cargo exige.
Apesar das dificuldades, afirma que nunca deixou de acreditar na profissão que escolheu e continua determinada em exercer o seu trabalho com dedicação e profissionalismo.
No Dia Internacional da Mulher, deixa também uma mensagem de incentivo para todas as mulheres. “Desejo que todas sejam felizes e que tenham coragem de seguir os seus sonhos”, afirmou.
No mercado do peixe, a realidade é marcada por um outro tipo de batalha diária.
Zezinha, peixeira há mais de 15 anos, representa muitas mulheres que encontram no comércio informal uma forma de sustentar as suas famílias.
“Trabalhar aqui é difícil todos os dias, mas é o que me permite garantir o sustento da minha família e manter a esperança de dias melhores”, disse.
Apesar das dificuldades, mantém-se firme na profissão que exerce há mais de uma década, com a convicção de que o trabalho digno é uma forma de garantir melhores condições de vida para a família.
“Mulher é forte por natureza, e nunca deixe de lutar pelos seus sonhos”, referiu.
As histórias de Elsa, Diana e Zezinha revelam diferentes realidades vividas pelas mulheres em Cabo Verde, desde a preparação para a maternidade até à afirmação profissional e à luta pela sobrevivência.
Embora em contextos distintos, todas partilham um elemento comum: a determinação de enfrentar desafios e continuar a construir o seu próprio caminho.
O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 08 de Março, surgiu no início do século XX nos movimentos por direitos das mulheres e foi oficializado pela ONU em 1977.
KA/SR//CP
Inforpress/Fim
Partilhar