Ilha do Sal: PAICV denuncia “crise profunda” na gestão municipal

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Ilha do Sal: PAICV denuncia “crise profunda” na gestão municipal
28/02/26 - 05:09 pm

Espargos, 28 Fev (Inforpress) – A líder da bancada municipal do PAICV na ilha do Sal, Estregilda Oliveira, afirmou hoje que a ilha atravessa uma “crise profunda de gestão”, acusando a Câmara Municipal do Sal de desresponsabilização e falta de visão estratégica.

A dirigente falava em conferência de imprensa, convocada pela bancada municipal do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição), para “alertar” para situações “críticas” que vêm ocorrendo no Sal e que a edilidade continua a “tentar justificar como comportamentos individuais dos munícipes”.

De acordo com Estregilda Oliveira, o Sal, que deveria ser um “exemplo de organização, planeamento e sustentabilidade”, apresenta um quadro preocupante de descoordenação, marcado por problemas visíveis e sentidos diariamente pela população, com destaque para deficiências graves no saneamento básico e na gestão de resíduos sólidos.

“Existem resíduos sem tratamento adequado, o que é vergonhoso e coloca em causa a ilha, os munícipes e os visitantes”, afirmou, alertando ainda para a pressão turística sem o correspondente planeamento, num contexto em que o elevado volume de resíduos agrava os problemas ambientais.

A líder da bancada municipal do PAICV apontou, igualmente, a “falta de coordenação e de vontade política”, tanto ao nível governamental como camarário, como entraves à resolução da questão ambiental.

“A câmara municipal não tem acompanhado o crescimento acelerado da ilha e optou por uma gestão baseada em improvisos e soluções temporárias”, afirmou.

No plano da governação local, Estregilda Oliveira considerou “inaceitável” que o Sal continue a enfrentar problemas básicos, referindo denúncias recorrentes de falta de regulação dos preços dos táxis, situação que, segundo disse, tem resultado em conflitos entre taxistas e clientes e evidencia ausência de fiscalização e de uma estratégia integrada para garantir ordem, segurança e qualidade dos serviços.

Defendeu, por outro lado, a revisão urgente do Código de Postura Municipal, com vista a assegurar que os espaços públicos, nomeadamente as praias, sejam locais de convivência familiar e turística, pautados por valores de respeito e civismo.

Relativamente à juventude, a dirigente rejeitou a ideia de que os jovens constituam um problema e sublinhou que o verdadeiro desafio reside na “incapacidade da Câmara Municipal em implementar políticas estruturadas e acções concretas direccionadas para este grupo”.

A concluir, Estregilda Oliveira afirmou que o PAICV “continuará a defender que o Sal não pode ser apenas uma vitrine turística enquanto os problemas estruturais se acumulam”, defendendo a elaboração de um verdadeiro plano estratégico de desenvolvimento sustentável.

NA/HF

Inforpress/Fim

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