Fogo: Presidente do IANCV reforça papel estratégico da preservação documental

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Fogo: Presidente do IANCV reforça papel estratégico da preservação documental
27/02/26 - 07:25 pm

São Filipe, 27 Fev (Inforpress) – O presidente do Instituto do Arquivo Nacional de Cabo Verde (IANCV), José Manuel, destacou hoje, em São Filipe, a importância da preservação documental para a salvaguarda da memória colectiva e o reforço da transparência institucional.

O responsável falava no encerramento do workshop sobre “gestão de documentos de arquivo, conservação e digitalização” que decorreu em São Filipe sob o lema  “gestão de documentos de arquivo, conservação e digitalização”.

A acção formativa, realizada de 23 a 27 de Fevereiro, destinou-se a técnicos e colaboradores das câmaras municipais e dos serviços desconcentrados do Estado na ilha do Fogo, enquadrando-se nas comemorações dos 50 anos da independência de Cabo Verde e do 35.º aniversário do Dia da Liberdade e da Democracia.

Na cerimónia de encerramento, José Manuel manifestou satisfação pela conclusão de mais um ciclo de formação e sublinhou a sua relevância, recordando que há bastante tempo não se realizava uma capacitação nesta área na ilha.

Segundo o responsável, o Arquivo Nacional tem sido cada vez mais solicitado a apoiar instituições na organização dos seus serviços, face aos desafios crescentes da gestão documental, tanto em suporte analógico como digital.

O presidente do IANCV afirmou que a instituição, enquanto guardiã da memória colectiva, possui competências específicas na preservação documental, mas também a responsabilidade de criar condições para formar mais quadros qualificados e dotar o país de instrumentos adequados de gestão.

“Os desafios são enormes e nem sempre os recursos são suficientes”, reconheceu, explicando que, por isso, o Instituto tem recorrido à realização de workshops para aumentar o número de pessoas sensibilizadas e capacitadas na área da gestão e preservação documental.

José Manuel alertou ainda para a desvalorização do sector em várias instituições, muitas vezes por desconhecimento, reforçando que a relação entre utentes, empresas e o Estado se materializa por meio de documentos, independentemente do suporte.

Defendeu, por isso, a urgência de formar técnicos capazes de classificar, organizar e gerir a informação ao longo de todo o seu ciclo de vida.

 

O objectivo, acrescentou, é estender a formação a outros municípios, de modo a criar, até ao final do ano, um grupo com maior consciência sobre a preservação da memória nacional e, nos próximos anos, avançar com uma estratégia estruturante para todas as ilhas.

O responsável lançou ainda o desafio para a promoção de um curso de 250 horas que permita recrutar jovens para reforçar os serviços das instituições públicas.

Em representação dos formandos, Victor Mendes considerou que cada participante deve tornar-se multiplicador na sua instituição, tendo em conta que não é possível capacitar todos de uma só vez.

Defendeu igualmente a elaboração de um documento com directrizes institucionais de âmbito nacional, para reforçar a responsabilidade na preservação dos arquivos.

Por sua vez, a formadora Rosa Andrade destacou que os arquivos não são meros depósitos de papel, mas fontes de informação, direitos e história, essenciais para a transparência, cidadania e desenvolvimento, apelando à aplicação prática dos conhecimentos adquiridos.

JR/JMV

Inforpress/Fim

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