
Sal Rei, 24 Fev (Inforpress) – O presidente da comissão Política Regional do PAICV na Boa Vista, Joel Spencer, classificou hoje a recente visita do primeiro-ministro à ilha com uma “coreografia de repetição” de promessas antigas, deixando-a com uma “mão cheia de nada”.
Em conferência de imprensa para reagir à visita oficial do primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, que terminou no passado domingo, 22, o dirigente regional do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV, oposição), afirmou que embora o partido saúde as melhorias pontuais, como o sistema de baterias e a expansão comercial no aeroporto, estas servem apenas como uma “cortina de fumo”.
“Ao fim de quase 10 anos de governação central sustentada pelo MpD, a Boa Vista continua profundamente abandonada no que toca a obras estruturais de impacto real”, declarou Joel Spencer, afirmando que a agenda governamental revelou um “desgaste profundo”.
Segundo o porta-voz do PAICV na ilha, projectos como a asfaltagem da estrada da Zona Norte e a rede de água para Estância de Baixo e Bofareira são “reedições de promessas de 2016 e 2018”, cujas primeiras pedras já tinham sido lançadas em mandatos anteriores sem que as obras avançassem por “falta de prioridade”.
No sector da saúde, Joel Spencer classificou a situação como “negligência grave”, apontando o facto de o Bloco Operatório do Centro de Saúde continuar fechado, volvidos sete anos desde o início das obras em 2019.
“É inaceitável e uma afronta à dignidade humana que passados sete longos anos… o Governo visite a ilha em comitiva pesada e seja incapaz de abrir as portas do tão prometido Bloco Operatório”, criticou, reforçando que os boa-vistenses continuam reféns de evacuações médicas e riscos de vida.
Joel Spencer acusou ainda o Governo de praticar um “centralismo asfixiante”, que alegadamente “bloqueia sistematicamente” projectos da autarquia local, nomeadamente o Centro de Saúde Reprodutiva e a requalificação da Orla Marítima de Sal Rei.
“O executivo optou pela táctica inaceitável de não fazer a obra e, em simultâneo, não deixar a Câmara Municipal fazer, penalizando o desenvolvimento urbano da nossa ilha”, denunciou.
Joel Spencer concluiu afirmando que, finda a “euforia mediática”, a conclusão é que o primeiro-ministro partiu deixando a ilha na mesma situação em que a encontrou, exigindo, por isso, “respeito e infra-estruturação pesada” para uma ilha que é um dos principais vectores da economia nacional através do turismo.
MGL/HF
Inforpress/Fim
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