Tarrafal promove reflexão sobre a língua cabo-verdiana no quadro do Dia Internacional da Língua Materna

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Tarrafal promove reflexão sobre a língua cabo-verdiana no quadro do Dia Internacional da Língua Materna
19/02/26 - 09:19 pm

Tarrafal, 19 Fev (Inforpress) – A autarquia do Tarrafal promoveu hoje  um conjunto de actividades que reuniu alunos, especialistas e a comunidade para reflectir sobre a importância da língua cabo-verdiana enquanto identidade cultural do país e a sua valorização contínua.

A iniciativa, que decorreu na Biblioteca Bibinha Cabral, integrou uma exposição dedicada a esta figura ligada à tradição oral e uma conversa/mesa-redonda subordinada ao tema “A Língua Materna como Espaço de Identidade, Educação e Criação”, reunindo estudantes, professores, investigadores e convidados ligados ao estudo da língua em Cabo Verde.

À imprensa, o presidente da Câmara Municipal do Tarrafal, José dos Reis, afirmou que a actividade representou um momento de partilha e reflexão, com forte participação de alunos do município.

Conforme reforçou, especialistas como a linguista Mana Guta e outros convidados contribuíram para aprofundar o debate sobre o papel da língua cabo-verdiana na afirmação e consolidação do povo cabo-verdiano.

O autarca sublinhou ainda que a língua materna constitui um elemento central da identidade nacional e defendeu a necessidade de investir, sem complexos, na sua valorização.

Para  o autarca, o envolvimento de escolas, professores, alunos e académicos é fundamental para estimular o diálogo e abrir caminhos para o fortalecimento da língua cabo-verdiana na sociedade.

Por sua vez, a presidente da Associação ALMA-CV, Amália Lopes, considerou que a data serve não apenas para celebrar, mas também para chamar a atenção para os direitos linguísticos dos povos.

Sobre o processo de oficialização plena da língua cabo-verdiana, explicou que este deve passar por um processo legislativo no parlamento e por uma eventual revisão da Constituição da República, actualmente centrada na oficialidade do português.

Amália Lopes destacou igualmente o papel dos jovens nesse processo, lembrando que muitos preconceitos em torno do crioulo resultam de ideias herdadas do período colonial e que o esclarecimento junto dos estudantes é essencial para mudar mentalidades e reforçar o valor da língua materna.

Também o professor, escritor e poeta tarrafalense Júlio Mante, coordenador da Casa do Livro e de Leitura do Tarrafal, defendeu que iniciativas do género ajudam os mais jovens a conhecer melhor a língua materna e a tradição oral.

Segundo explicou, o espaço tem recebido pessoas de diferentes idades à procura de livros e actividades de leitura, incluindo obras em crioulo, para estimular o contacto das crianças com a língua e a cultura cabo-verdiana.

No local, além da leitura e da venda de livros, são realizadas actividades educativas, contação de histórias tradicionais e momentos de convívio em língua materna, numa tentativa de aproximar os jovens do património cultural e literário do país.

O Dia Internacional da Língua Materna, assinalado a 21 de Fevereiro, é comemorado em vários pontos do mundo com actividades educativas, debates, encontros culturais e acções de sensibilização destinadas a promover a diversidade linguística e a valorizar as línguas locais como parte fundamental da identidade dos povos.

MC/JMV

Inforpress/Fim

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