
Nações Unidas, 18 Fev (Inforpress) - O secretário-geral da ONU, António Guterres, assinalou o início do mês do Ramadão com um apelo à superação de divisões e ao reforço da ajuda humanitária, destacando os conflitos no Afeganistão, Iémen, Gaza e Sudão.
"Para os muçulmanos de todo o mundo, o mês sagrado do Ramadão é um período sagrado de reflexão e oração. O Ramadão também representa uma visão nobre de esperança e paz. Mas para muitos membros da família humana, essa visão permanece distante", refletiu na terça-feira Guterres, num vídeo em que assinalou a data.
Do Afeganistão ao Iémen, da Faixa de Gaza ao Sudão e em muitos outros lugares do mundo, as pessoas continuam a sofrer os horrores dos conflitos, da fome, do deslocamento, da discriminação e muito mais, lamentou o líder da ONU.
O antigo primeiro-ministro português defendeu que a mensagem do Ramadão deve servir como guia num contexto internacional marcado por dificuldades e divisões.
"Nestes tempos difíceis e de divisão, atentemos para a mensagem duradoura do Ramadão, para superar as divisões, levar ajuda e esperança àqueles que estão a sofrer e para salvaguardar os direitos e a dignidade de cada pessoa", afirmou.
Ao encerrar a mensagem, Guterres expressou esperança de que o Ramadão sirva como inspiração para uma ação coletiva global.
"Todos os anos, faço uma visita especial de solidariedade a uma comunidade muçulmana e participo do jejum. E todos os anos saio de lá revigorado pelo espírito de paz e compaixão do Ramadão. Que este mês sagrado nos inspire a trabalhar juntos para construir um mundo mais pacífico, generoso e justo para todas as pessoas", concluiu Guterres.
Milhares de milhões de muçulmanos em todo o mundo iniciam esta semana o Ramadão, o seu mês sagrado de jejum.
O jejum no nono mês do calendário muçulmano, baseado no ciclo lunar, é considerado um dos cinco pilares do Islão. De acordo com a tradição islâmica, foi neste mês que Deus revelou o livro sagrado desta religião, o Corão, ao profeta Maomé.
O Ramadão começará na quarta-feira na Arábia Saudita, país que abriga os locais mais sagrados do Islamismo, e deverá começar um dia depois no Irão.
"Quarta-feira é o primeiro dia do abençoado mês do Ramadão", escreveu a agência de notícias saudita na rede social X.
Tradicionalmente, a comunidade sunita em todo o mundo segue a data indicada pelas autoridades religiosas do reino sunita da Arábia Saudita.
No Irão, o gabinete do Líder Supremo iraniano, o ayatollah Ali Khamenei, afirmou na terça-feira "que era esperado - conforme indicado pelo calendário - que quinta-feira seja o primeiro dia do mês sagrado do Ramadão".
Apesar dos avanços nos cálculos astronómicos, as autoridades religiosas sauditas continuam a basear-se na observação visual direta como método oficial para confirmar o aparecimento da lua crescente.
Essa prática é seguida desde a época do Profeta Maomé, que relacionou o início do jejum a essa observância.
A mais de cem quilómetros a noroeste de Riade, no coração do deserto e longe de qualquer poluição luminosa, um observatório astronómico recebeu na terça-feira cerca de dez observadores que vieram examinar o céu ao pôr do sol.
A olho nu, mas com o auxílio de telescópios potentes apontados para o horizonte, observaram o aparecimento da lua crescente, aproveitando um céu limpo.
Quando soou a chamada para a oração do pôr do sol, um silêncio tenso instalou-se e todos prenderam a respiração.
Poucos minutos após o pôr do sol, os participantes retiraram-se para redigir o seu relatório, que foi então enviado ao Supremo Tribunal da Arábia Saudita, a única autoridade com poder para anunciar oficialmente o início do mês sagrado do Ramadão.
No Irão, um país predominantemente xiita, o gabinete do Líder Supremo anunciou que grupos de observação seriam mobilizados em todo o país na noite de quarta-feira para "tentar observar o crescente que marca o início do mês sagrado do Ramadão".
O Islão é a segunda maior religião do mundo, seguida por cerca de 25% da população mundial.
Inforpress/Lusa/fim
Partilhar