
Espargos, 18 Mai (Inforpress) – A Avenida 13 de Janeiro, em Espargos, transformou-se num palco de cor e criatividade para o Carnaval 2026, embora a noite tenha sido marcada por ajustes significativos na programação e desafios logísticos que testaram a resiliência dos grupos.
Sob a organização da Câmara Municipal do Sal, o evento celebrou a cultura e a identidade cabo-verdiana perante um “público vibrante”.
O desfile, previsto para as 19h00, teve o seu início retardado em cerca de 1 hora e 30 minutos.
O grupo Gaviões de Hortelã abriu o certame com o enredo "Biodiversidade de Cabo Verde", mobilizando 450 participantes para homenagear o Monte Leão e alertar para a preservação ambiental.
Após a passagem, o responsável do grupo, Patrick Almeida, não escondeu o seu descontentamento.
Almeida mostrou-se bastante decepcionado com alguns problemas enfrentados ao longo da avenida, mas ressaltou o espírito de missão da escola.
Segundo o responsável, o grupo saiu com o objetivo de "abrilhantar uma vez mais o Carnaval do Sal" e, apesar dos obstáculos, garantiu ter cumprido essa meta.
Numa mudança na ordem de desfile, o grupo Patchê Parloa acabou por assumir o segundo lugar na avenida, arrancando por volta das 23h00 com o tema "No jogo da vida, cada jogada é uma escolha".
Com 350 foliões, o grupo levou reflexões sobre o destino e a sabedoria através de figuras como a rainha e o rei.
Em entrevista, a responsável Dolores Lopes afirmou que "valeu a pena todo o esforço", apesar do atraso generalizado.
Lopes justificou a demora com as dificuldades no transporte dos carros alegóricos, mas sublinhou que tal entrave não impediu o grupo de atravessar a avenida da melhor forma.
O grupo Kriola África, que celebrava os 50 anos da Independência Nacional com o enredo "Nasceu uma Nação", enfrentou as maiores dificuldades da noite.
Devido a problemas críticos, o grupo acabou por ser o último a desfilar e teve de o fazer sem os seus carros alegóricos.
A apresentação foi dividida em três actos, narrando desde o passado de seca e emigração até à conquista da soberania e a projeção de um futuro de esperança para as ilhas.
A presidente do grupo optou por não dar entrevistas formais no final do percurso.
Visivelmente abalada pelos sucessivos problemas para sair, limitou-se a confessar que as enormes dificuldades enfrentadas a fazem ponderar desistir do Carnaval nas próximas edições.
Pela parte da organização, a vereadora da Cultura, Viviana Mendes, reconheceu os percalços, mas fez um balanço positivo da qualidade do espetáculo.
Mendes afirmou que os atrasos "ultrapassam a Câmara Municipal", mas garantiu que, no cômputo geral, foi um bom Carnaval.
A vereadora sublinhou que esta é uma das festas que mais atrai o público às ruas e que precisa ser repensada para futuras edições.
Reiterando que a autarquia apoiou financeiramente todos os grupos, Viviana Mendes lamentou os incidentes ocorridos e reforçou que o evento continua a ser uma expressão fundamental da memória e alegria coletiva do Sal.
NA/JMV
Inforpress/Fim
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