
Cidade da Praia, 18 Fev (Inforpress) – Entre azulejos, poesia e solidariedade, a Marcha Amigos Dona Nené, dos Açores (Portugal), regressou hoje ao Carnaval da Praia com 80 elementos, celebrando Camões, reforçando laços atlânticos e prometendo energia contagiante na avenida.
A participação do grupo açoriano marca a sua segunda presença nas festividades carnavalescas da capital cabo-verdiana, num intercâmbio que vai além do desfile e assume contornos culturais e simbólicos.
Proveniente da Ilha Terceira, nos Açores, a marcha trabalha ao longo de todo o ano para as Sanjoaninas, principal festa daquela ilha, e, após receber o convite para a Praia, reorganizou figurinos, logística e transporte para atravessar o Atlântico com parte significativa dos seus integrantes.
No total, a marcha contou com 80 elementos, mas 60 viajaram até Cabo Verde para esta apresentação.
Em declarações à Inforpress, Sandra Querido sublinhou que o grupo traz consigo “muita energia”, característica que associa à identidade terceirense, além do carinho acumulado desde 2015, ano em que começou a desfilar em Cabo Verde.
Este ano, o lema “Camões” inspira toda a concepção artística, numa referência às comemorações dos 500 anos da morte do poeta português Luís Vaz de Camões.
O traje aposta no azulejo português como elemento visual dominante, transformando a herança histórica em narrativa estética sobre rodas e coreografias.
Mas a deslocação não se limita ao espetáculo.
A marcha trouxe também donativos recolhidos nos Açores, entre material escolar e roupas para crianças, reforçando uma dimensão solidária que acompanha o grupo nas suas saídas internacionais.
Para Inês Furtado, conhecida por “Neném”, emigrante cabo-verdiana radicada nos Açores há mais de 40 anos, a preparação concentrou-se essencialmente na organização da viagem e no transporte dos figurinos e dos donativos, já que a estrutura artística estava previamente consolidada.
Mais do que um desfile, a presença da Marcha Amigos Dona Nené na Praia assume-se como ponte cultural entre dois arquipélagos atlânticos, onde a música, a dança e a poesia convergem numa celebração que une tradição, identidade e partilha.
KA/SR/JMV
Inforpress/Fim
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