
Ribeira Brava, 27 Jan (Inforpress) – O ministro do Turismo e Transportes afirmou hoje que Cabo Verde precisa ir além do turismo tradicional de sol e praia, apostando de forma estratégica no turismo de natureza e no ecoturismo como motores de diversificação.
José Luis Sá Nogueira, que falava na abertura do encontro alargado sobre o Projecto Ecoraízes, sublinhou que, apesar de o turismo balnear continuar a ser preferido, “Cabo Verde é muito mais do que isso”, realçando que cada uma das nove ilhas habitadas possui características próprias que se complementam e que devem ser exploradas de forma sustentável.
Segundo o ministro a aposta no turismo de natureza integra a opção estratégica do Governo de fazer deste segmento um acelerador da diversificação do mercado turístico cabo-verdiano, garantindo simultaneamente a preservação dos recursos naturais, a valorização dos recursos humanos e o bem-estar dos trabalhadores e visitantes.
Nesse sentido, destacou o projecto Eco Raízes, considerando-o uma mais-valia para a afirmação do turismo de natureza no país.
No domínio dos investimentos, destacou acções de requalificação e valorização patrimonial, desenvolvimento de infraestruturas para o turismo de natureza, como trilhos recuperados, miradouros panorâmicos, organização de eventos de trekking, bem como a requalificação e construção de estradas.
O ministro enfatizou ainda o trabalho conjunto entre o Governo e as câmaras municipais da Ribeira Brava e do Tarrafal, visando melhorar a acessibilidade, a qualificação humana, a cultura e infraestruturas que beneficiam simultaneamente a população local e a oferta turística.
O governante salientou também o potencial urbano e patrimonial da cidade da Ribeira Brava, descrevendo-a como “uma cidade linda, bem conservada”, que constitui um forte atrativo turístico. Defendeu, por isso, mais investimentos para preparar São Nicolau, Ribeira Brava e Tarrafal, de modo a oferecer produtos turísticos de melhor qualidade.
Relativamente à conectividade, destacou os resultados positivos da subsidiação das tarifas aéreas para São Nicolau, implementada pelo Governo, que reduziu em 40% o preço das passagens.
Segundo afirmou, a medida permitiu aumentar significativamente o número de voos semanais e a taxa de ocupação, actualmente superior a 80%, demonstrando que “quando há conectividade, há resposta do mercado”.
Por sua vez, o presidente da Associação de Defesa do Património de Mértola (ADPM), Jorge Revez, explicou que o principal objetivo do encontro foi juntar os diferentes intervenientes ligados ao processo, nomeadamente as câmaras municipais, o Ministério do Turismo, representado pelo ministro do sector, a União Europeia, através da sua embaixadora, associações comunitárias e operadores turísticos.
Segundo o responsável, o encontro permitiu, por um lado, apresentar e socializar os estudos e actividades que têm vindo a ser desenvolvidos no âmbito do Ecoraízes e, por outro, continuar o debate sobre um modelo de desenvolvimento assente nas áreas protegidas, no património, na cultura e no ambiente da ilha de São Nicolau.
Durante o encontro foram apresentados vários estudos considerados estratégicos, entre os quais o estudo sobre os segmentos turísticos emergentes, que identifica nichos de mercado em que São Nicolau, bem como formas de os aproveitar para atrair mais visitantes à ilha.
Foi igualmente apresentado um plano de marketing para São Nicolau, descrito por Jorge Revez como “extremamente importante”, por fornecer orientações e recomendações sobre a divulgação e promoção do destino turístico a partir de agora.
Outro destaque do encontro foi o lançamento do guia das plantas aromáticas de São Nicolau e de São Plantão, assim como a apresentação de um estudo sobre a viabilidade da criação de um geoparque na ilha.
Questionado sobre o balanço dos 15 meses de implementação do Ecoraízes, Jorge Revez considerou o percurso “extremamente positivo”, destacando o envolvimento das entidades locais e a criação de dinâmicas consideradas fundamentais para o desenvolvimento da ilha.
Além dos estudos já concluídos, o projecto tem permitido a criação de pequenas infraestruturas turísticas, como melhorias na Casa da Morna, em miradouros, zonas de venda de produtos no Parque Natural do Monte Gordo e intervenções em viveiros, como o do Cachaço.
WM/JMV
Inforpress/Fim
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