Parlamento: UCID defende regionalização e denuncia “abandono histórico” da ilha de São Vicente

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Parlamento: UCID defende regionalização e denuncia “abandono histórico” da ilha de São Vicente
23/01/26 - 12:07 pm

Cidade da Praia, 23 Jan (Inforpress) - A UCID defendeu hoje a regionalização e afirmou que São Vicente não é apenas parte da história do país, mas uma ilha viva, que ao longo das gerações teve de provar continuamente que merece o futuro.

O apelo foi lançado pelo deputado da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID, oposição), António Monteiro, durante uma declaração política, no parlamento, na cidade da Praia, sobre o Dia de São Vicente, que se assinalou na quinta-feira, 22.

A UCID destacou a importância do Dia de São Vicente, sublinhando que apesar das dificuldades naturais, como a escassez de água e a dureza do solo, a ilha transformou essas fragilidades numa vocação, desenvolvendo‑se em torno do mar, do Porto Grande e da prestação de serviços ao mundo, o que impulsionou o crescimento do Mindelo como cidade “moderna, cosmopolita e culturalmente vibrante”.

No seu discurso sublinhou que a cultura em São Vicente sempre foi “estrutural e não meramente decorativa”, moldando um “povo urbano, crítico, criativo e resistente”. 

Contudo, lamentou que a ilha tenha sido “repetidamente esquecida” ao longo da sua história, mas resistindo “à falta de investimento, à escassez de oportunidades e a decisões tomadas à distância”. 

Afirmou que após a independência, São Vicente continuou a viver ciclos de promessas e adiamentos, enfrentando hoje desafios como desemprego jovem, falta de habitação digna, fragilidades nos serviços de saúde, problemas ambientais e dificuldades no acesso à água e à energia.

A UCID aponta a tempestade Erin como um momento revelador das fragilidades estruturais da ilha, expondo falhas na drenagem urbana, infraestruturas deficientes e ausência de prevenção. 

Apesar de reconhecer alguns anúncios e promessas de investimentos, Monteiro considerou que São Vicente precisa de “menos de anúncios e mais de obras concluídas, prazos cumpridos e transparência”.

O parlamentar apontou a "excessiva centralização do poder" como um dos principais problemas da ilha, defendendo a regionalização como solução para aproximar o Estado das pessoas e permitir que as ilhas planeiem o seu próprio desenvolvimento. 

Aquele parlamentar, disse rejeitar uma regionalização “meramente simbólica ou sem meios financeiros e poder de decisão”, defendendo um modelo com “autonomia real, orçamento próprio e responsabilização clara”.

O deputado da UCID sublinhou ainda, que São Vicente não pede privilégios, mas equidade, respeito e capacidade de decidir o seu próprio futuro.

Para a UCID, sem uma "reforma profunda" da forma de governar o arquipélago, o país continuará a “gerir crises” em vez de “construir um desenvolvimento sustentável”. 

O partido da oposição concluiu que existe um caminho alternativo, assente numa descentralização verdadeira, coragem política e responsabilidade, reiterando que São Vicente não nasceu para esperar, mas para contribuir activamente para o desenvolvimento de Cabo Verde.

DG/AA

Inforpress/Fim

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