Santa Catarina: Dia da Nacionalidade reúne gerações em torno do pensamento de Amílcar Cabral

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Santa Catarina: Dia da Nacionalidade reúne gerações em torno do pensamento de Amílcar Cabral
20/01/26 - 04:10 pm

Assomada, 20 Jan (Inforpress) – O Dia da Nacionalidade Cabo-verdiana reuniu hoje diferentes gerações em torno do pensamento de Amílcar Cabral, numa conferência realizada na Praça Central de Assomada, iniciativa conjunta do grupo parlamentar do PAICV e da Câmara Municipal de Santa Catarina.

Sob o tema “Amílcar Cabral e os desafios contemporâneos: Estado, democracia e justiça social”, o encontro juntou combatentes da liberdade da pátria, responsáveis políticos, académicos, jovens e representantes da sociedade civil, com o objectivo de promover uma reflexão colectiva sobre a actualidade do legado do herói nacional.

À imprensa, o presidente da Câmara Municipal de Santa Catarina, Armindo Freitas, destacou o simbolismo de a celebração decorrer na terra de Cabral e de muitos combatentes.

“Esta é uma data de todos os cabo-verdianos e deve ser celebrada por todas as instituições. É um momento para pensarmos no país que queremos construir, justo, coeso e próspero, em continuidade da luta que Cabral nos deixou”, afirmou.

Para o líder parlamentar do PAICV e conferencista no evento, Clóvis Silva, o 20 de Janeiro ultrapassa a memória do assassinato de Amílcar Cabral, representando sobretudo a construção da nacionalidade cabo-verdiana.

 “Somos um povo unido e é essa união que nos permite continuar a lutar contra o subdesenvolvimento, a pobreza e a corrupção, levando ética para a política e esperança para as pessoas”, defendeu.

O combatente da liberdade Arlindo dos Reis Borges, um dos oito presentes na cerimónia, recordou com emoção o período em que se encontrava preso no Tarrafal em 1973.

“Conseguimos dar continuidade ao legado de Cabral até alcançarmos a independência. As novas gerações devem prosseguir essa caminhada”, apelou.

Na mesma linha, o sociólogo Henrique Varela sublinhou que o maior significado da data está no aprendizado que ela proporciona.

“Cada cidadão deve interrogar-se sobre a sua missão. Cabral deixou-nos uma lição de vida e, 53 anos depois, precisamos transformar essa memória em mudança e resiliência”, considerou.

A conferência contou com intervenções do investigador Teles Fernandes e Clóvis Silva, mas também de, entre outras entidades, o presidente do PAICV, Francisco Carvalho, e um debate aberto que privilegiou a participação do público.

Os promotores defendem que assinalar o 20 de Janeiro é um exercício de responsabilidade com o presente e com o futuro, reafirmando a actualidade das ideias de Cabral para a consolidação da democracia, o fortalecimento das instituições e a promoção da justiça social.

O Dia da Nacionalidade Cabo-verdiana evoca o aniversário da morte de Amílcar Cabral, fundador da nação e referência maior da luta de libertação, cujo pensamento continua a inspirar Cabo Verde e a unir diferentes gerações em torno de um projecto comum de país.

Ainda, em Santiago Norte, o município de Santa Cruz tem agendado para esta tarde, um conjunto de actividades, cujo ponto alto recai sobre a palestra “Experiência da Luta pela Libertação da África – Heróis Nacionais”, no Centro Katxás, para reflectir sobre a história da resistência africana e o contributo dos heróis nacionais para a construção da liberdade.

MC/CP

Inforpress/Fim

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