
Mindelo, 16 Dez (Inforpress) – A União Cabo-Verdiana Independente e Democrática (UCID, oposição) alertou hoje para as “assimetrias, fragilidades institucionais e forte dependência do voluntariado” que continuam a marcar o sector do desporto em Cabo Verde.
A posição foi partilhada pela deputada Zilda Oliveira, em conferência de imprensa, no Mindelo, na antevisão do debate com o primeiro-ministro sobre "Desporto e Desenvolvimento", que decorrerá na segunda sessão da Assembleia Nacional, entre quarta-feira, 17, e sexta-feira, 19.
Segundo a deputada, Cabo Verde possui um “potencial extraordinário” em diversas modalidades desportivas. Contudo, observou que este potencial continua a ser “subaproveitado por falta de investimento estruturado e de uma visão estratégica” que valorize a “diversidade desportiva e promova a equidade entre modalidades e territórios”.
A mesma fonte afirmou que o Orçamento do Estado para a Juventude e o Desporto para 2026 regista um aumento de 9,4%, mas que o documento não apresenta “novidades em termos de programas, sobretudo no desporto”.
“Temos de encarar o desporto como uma opção estratégica de desenvolvimento humano e social, pois o que está em causa não é apenas o rendimento desportivo, mas sim o papel do desporto como instrumento de inclusão social, de prevenção de comportamentos de risco e de promoção da saúde”, afirmou, acrescentando que o desporto também deve servir como instrumento de afirmação internacional do país.
Para a eleita nacional, é necessário que o país defina uma política nacional do desporto que seja “clara, executável e com uma visão de futuro”, que promova a “melhor integração” do sector nas políticas de educação, saúde e juventude, e que garanta a descentralização dos projectos desportivos, com a diversificação dos investimentos.
A título de exemplo, Zilda Oliveira referiu que São Vicente foi, historicamente, uma ilha com “forte marca” no desporto nacional, pelo que considerou haver necessidade de se reflectir sobre a descentralização dos projectos, programas e investimentos para a ilha.
A mesma fonte advogou, igualmente, uma “aposta séria na diversidade de modalidades”, bem como na melhoria e manutenção das infra-estruturas desportivas.
“As infra-estruturas acabam por ser um dos calcanhares de Aquiles do nosso desporto. A maior parte delas, por exemplo aqui em São Vicente, apresenta um elevado estado de degradação, o que condiciona a prática desportiva e, muitas vezes, coloca em risco os atletas”, acrescentou.
A deputada defendeu ainda que o Governo deve apoiar a Câmara Municipal de São Vicente na recuperação das infra-estruturas desportivas danificadas pela tempestade Erin e recorrer a instituições como a FIFA para a construção de um novo estádio com condições para receber competições internacionais.
Segundo a deputada, há necessidade de se avançar para a profissionalização da gestão de clubes e federações, uma vez que muitos funcionam numa lógica de voluntariado.
“Se queremos que o desporto seja um pilar do desenvolvimento, não podemos permitir que fique apenas dependente do voluntariado. Não há como dar o salto qualitativo sem investimento”, argumentou, defendendo ainda “a valorização do atleta como centro do sistema desportivo”.
CD/CP
Inforpress/Fim
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